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janeiro 17, 2013

Sustentabilidade a serviço da cultura

por Fátima Lima

Para quem ainda acha que sustentabilidade diz respeito apenas às ações relativas ao tripé econômico/social/ambiental, trago boas notícias. Cada vez mais, essa noção começa a ser ampliada para, aos poucos, entrar em outras agendas.

E o movimento cultural, amparado por leis de incentivo e fortalecido com a realização de iniciativas focadas na disseminação de cultura de qualidade, tem se apresentado como um novo caminho para a iniciativa privada, capaz de mudar o cotidiano urbano das cidades, recuperando a auto-estima das pessoas e a capacidade de sonhar de cada um.

Ao abrigar atualmente a exposição “Impressionismo: Paris e a Modernidade”, que atrai centenas de pessoas diariamente ao centro da cidade, o Rio de Janeiro está vivendo um fenômeno similar ao que presenciamos em São Paulo: o revigoramento do chamado “centro antigo”.

Na capital paulista, durante 58 dias (entre agosto e outubro de 2012), cerca de 325 mil pessoas, de diferentes faixas etárias, grau de instrução e classes sociais, enfrentaram horas de filas para apreciar de perto 85 obras-primas de artistas símbolos do movimento impressionista, como Claude Monet, Edouard Manet, Paul Gauguin, Pierre-Auguste Renoir, Henri de Toulouse-Lautrec, Edgar Degas, entre outros.

Entre este público, pessoas acostumadas a frequentar esse tipo de evento se misturam com gente que nunca entrou em um museu.

O grande interesse por um evento cultural dessa magnitude superou, inclusive, o já arraigado medo da população de frequentar essa região durante a noite, com a presença maciça de milhares de pessoas durante as chamadas “Viradas Impressionistas”, quando a exposição fica aberta ininterruptamente durante a madrugada.

O impressionante afluxo de pessoas para regiões até então consideradas tabus é apenas um dos aspectos positivos.

Outra conclusão importante que chegamos ao analisar um fenômeno como esse é que as pessoas estão cada vez mais ávidas por iniciativas culturais de qualidade.
E cabe também às empresas -não somente ao Estado- prover este tipo de atividade.

Isso porque a amplitude do conceito de sustentabilidade envolve muitos outros aspectos, como a felicidade das pessoas.

Investir na felicidade dos colaboradores e da comunidade com a qual se relaciona é também uma atitude sustentável que deve ser perseguida pelas empresas.

A felicidade foi integrada, inclusive, à agenda mundial e pode até ser medida pelo Índice de Felicidade Interna Bruta, um novo paradigma mundial baseado na sustentabilidade para a felicidade humana e bem-estar de todas as formas de vida.

Esse é um princípio básico que deve nortear, cada vez mais, a estratégia das empresas em qualquer segmento de atuação.

O conceito de sustentabilidade -e sua nova lente, com viés cultural- deve fazer parte da gestão estratégica e da tomada de decisões, assim como o diálogo e a geração de valor com todos os stakeholders.

Pensar em sustentabilidade é gerar lucro pensando nas gerações futuras.

É totalmente viável fazer negócio de uma maneira sustentável, engajando todos os participantes da cadeia de valor, de modo que o entendimento e a atitude se disseminem aos poucos entre os ciclos de relacionamento de cada empresa.

Da mesma maneira, temos que acreditar na cultura, sempre, como um valor maior capaz de modificar a vida urbana.

A população mostrou que não quer mais ser tratada à base de frugalidades e que está pronta para ampliar o seu repertório cultural.

Cabe agora às empresas aproveitar esse novo cenário que se desenha para fortalecer o seu relacionamento com a população e cumprir com o seu papel de incentivar grandes transformações sociais e culturais.

Fátima Lima é executiva de Sustentabilidade do Grupo BB e Mapfre

Artigo publicado em 09 de janeiro de 2013 na Folha de São Paulo(www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/1212350-sustentabilidade-a-servico-da-cultura.shtml)

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