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setembro 30, 2013

O Brasil mudou

por Antonio Penteado Mendonça

Apenas uma minoria tem seguro contra os eventos naturais no País, ainda que boa parte dos riscos possa ser segurada

Apesar de nossos políticos continuarem cometendo as barbaridades de sempre, a natureza evoluiu. Durante décadas o Brasil foi o país abençoado por Deus, sem vulcões, furacões, tornados, nevascas, terremotos e outros eventos de origem natural capazes de causar danos de monta.

Enquanto os países desenvolvidos sofriam nas mãos da natureza,tendo de administrar toda sorte de catástrofes capazes de matar, ferir e destruir o patrimônio nacional, o Brasil passava ao largo das desgraças, ameaçado apenas pelas formigas e pelos políticos. É verdade que as catástrofes naturais são seguráveis.Da mesma forma, é verdade que os estragos causados pelas formigas e pelos políticos não são seguráveis.

E moutras palavras, os prejuízos causados pelos políticos são mais danosos que os decorrentes dos eventos naturais. Estes, pelo menos nos países ricos, são indenizados em boa parte pelas seguradoras. No Brasil, nem isso. Aqui apenas uma minoria tem seguro contra os eventos naturais, ainda que boa parte dos riscos possa ser segurada. Mas se nós não tínhamos catástrofes naturais, por que agora, de uma hora para outra,o País começou a ser varrido por uma série de eventos desta natureza? A resposta é simples: não é que o Brasil não fosse solo propício para os eventos, nós é que não tínhamos qualquer tipo de aferição sobre sua ocorrência.

Hoje se sabe que o Brasil, de acordo com a ONU, é um dos 10 países mais afetados por prejuízos de causas naturais. Só as pragas que atacam a agropecuária seriam suficientes para nos colocar em lugar de destaque em qualquer ranking global. Mas há mais.E pelo jeito sempre houve. Nós só não sabíamos porque eles aconteciam em zonas até pouco tempo atrás pouco habitadas.

É verdade que nos últimos anos caíram alguns mitos internacionais, a começar pela afirmação de que no Atlântico Sul era impossível a formação de furacões. Santa Catarina sentiu na pele a fúria de um desses fenômenos. Por falarem Santa Catarina,me lembro eu, criança, ouvindo no rádio as informações a respeito das enchentes que arrasaram boa parte do Estado. Da mesma forma que me lembro, mais ou menos na mesma época, de Caraguatatuba soterrada por parte da Serra do Marque veio abaixo depois de intensas chuvas de verão.

Então, as chuvas não são novas, nem mesmo na região serrana do Rio de Janeiro. Os moradores de Petrópolis que o digam.Da mesma forma que as águas sempre se espraiaram por São Paulo, atingindo as mais variadas regiões da cidade. E fazem costumeiramente o mesmo no Rio de Janeiro,em Belo Horizonte, Salvador e tantas outras cidades espalhadas pelo País.

Agora mesmo Taquarituba, município do interior paulista, desconhecido da maioria da população brasileira,sentiu na área urbana os efeitos devastadores de um tornado que matou 2 pessoas, feriu mais de 60 e destruiu dezenas de imóveis. Aliás, os tornados não são novos na história dos eventos naturais que atingem São Paulo. Há alguns anos, um atravessou a região de Ribeirão Preto, outro desceu em São Bernardo do Campo e um terceiro,com efeitos mais danosos, passou por Indaiatuba.

Enquanto as últimas inundações que atingiram a Alemanha devem custar perto de € 3 bilhões para as seguradoras, no Brasil ninguém fala do valor das indenizações suportadas pelo setorem decorrência dos eventos naturais que se abatem sobre nós. Existe seguro para vários deles.Essas garantias podem ser contratadas nos pacotes residenciais e empresariais sem qualquer dificuldade. E a cobertura compreensiva do seguro de automóveis indeniza os danos causados pela água, o que eleva a sinistralidade da carteira nos meses de verão.

Alguns riscos, como as enchentes e os deslizamentos,são difíceis de serem segurados. Mas isso não justifica abaixíssima contratação de garantias contra os eventos de origem natural. Está na hora dessa situação mudar. Isso só vai acontecer quando as apólices forem mais conhecidas. Quer dizer,daqui até o final do próximo verão a população brasileira mais uma vez vai morrer com a conta.

Membro das Academias Paulista de Letras e de História. Antonio Penteado Mendonça é advogado, radialista, jornalista, colunista do Jornal Estado de São Paulo e especialista em seguro.

Artigo publicado na edição de 30 e setembro de 2013 no Jornal Estado de São Paulo

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