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agosto 26, 2013

O planeta manda SOS e opera no vermelho

por Sônia Araripe

Relatório que acaba de ser divulgado pela Global Footprint Network – GFN (Rede Global da Pegada Ecológica), instituição internacional parceira da rede WWF, que gera conhecimento sobre sustentabilidade – traz informações precisas sobre o que já imaginávamos. O planeta manda SOS e está operando no vermelho. De acordo com o levantamento, conhecido por muitos como “pegada ecológica” (metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais), o consumo humano excedeu o orçamento do planeta para 2013 e, como se fosse um consumidor com dívidas, “entrou no que poderia ser, digamos assim, o cheque especial”.

Os dados da GFN apontam que, em pouco mais de oito meses, utilizamos tudo o que a natureza consegue regenerar durante um ano. O restante ficou descoberto em nossa conta. À medida que aumenta nosso consumo, cresce o débito ecológico, traduzido na redução de florestas, perda da biodiversidade, colapso dos recursos pesqueiros, escassez de alimentos, diminuição da produtividade do solo e acúmulo de gás carbônico na atmosfera.

Se hoje somos cerca de 7,2 bilhões de habitantes – crescendo em progressões geométricas – não é preciso ser um especialista para perceber que esta equação não promete chegar a um bom termo no curto, médio e longo prazos. O impacto para a humanidade e para a indústria de seguros, como relevante parte da cadeia produtiva, são dramáticos. Com a economia debilitada e enfrentando desafios cada vez maiores, não são boas as perspectivas. E o que é mais perverso: os menos favorecidos, desprotegidos ou de menor renda, são os mais afetados por este quadro.

O principal porta-voz da GFN mandou um claro recado. “O enfrentamento de tais restrições impacta diretamente as pessoas. As populações de baixa renda têm dificuldade em competir por recursos com o restante do mundo,” alertou Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network e co-criador da Pegada Ecológica, medida para contabilizar o uso de recursos naturais.

Também recentes notícias de superaquecimento no Japão – tendo mesmo causado mortes pelo calor forte – impressionam e confirmam ser praticamente impossível desconfiar da veracidade do alerta global sobre os impactos climáticos. Um outro estudo de professores da Universidade de Stanford, na Califórnia, EUA conclui que durante esse século as mudanças climáticas podem se dar em um ritmo dez vezes maior do que qualquer outra alteração no clima dos últimos 65 milhões de anos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores conduziram uma análise da literatura científica sobre os aspectos das mudanças climáticas que podem afetar os ecossistemas, investigaram como observações atuais e para as próximas décadas se comparam a eventos passados na história da Terra e utilizaram as estimativas de aquecimento futuro projetado por modelos climáticos. Para quem se interessar em ler os detalhes, o estudo chama-se “Changes in Ecologically Critical Terrestrial Climate Conditions”, de agosto de 2013.

Especialistas advertem que se a agenda da energia e clima não for salva, pouco adiantará todos os demais esforços para garantir o futuro sempre sonhado para nossos netos e bisnetos. Foi o que advertiu há poucos meses experts no tema em relato feito pelo relatório da Agência Internacional de Energia. O jornalista Washington Novaes, articulista de O Estado de S. Paulo, relata este encontro ocorrido no Carnegie Endowment for International Peace. Vale conferir o artigo de Novaes para confirmar o que o próprio título já anuncia – “Muitos alarmas do clima estão soando”.

Também no Brasil, um dos maiores especialistas em clima, o professor Carlos Nobre, falou sobre o tema para o programa Roda Viva, da TV Cultura. O especialista – que ganhou o Prêmio Nobel junto ao grupo membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – destacou que muitas espécies não conseguirão sobreviver às mudanças climáticas. O pesquisador citou o exemplo dos recifes de coral, que com um aumento de 2ºC nos oceanos devem desaparecer em até 80%.

A indústria de seguros tem exercido papel essencial neste cenário, não só na reparação de acidentes naturais ou não, mas principalmente, na prevenção e no apoio a variadas ações educativas. Cada habitante deste planeta, da chamada nave azul, tem a sua missão por cumprir senão para previnir, mas ao menor evitar a piora das expectativas.

Más notícias? Nem tanto. O pior dos cenários é quando um “nevoeiro” não permite enxergar o que há pela frente. No caso atual, o horizonte pode parecer bem sombrio, mas cientistas e tecnologia de ponta são decisivos para tomar as decisões certas e mudar onde for preciso. Complexo? Inviável? Nem tanto. Sejamos, senão otimistas, ao menos céticos. Ninguém, em sã consciência, quer apressar a sua própria morte ou ser responsabilizado por empurrar toda a sociedade para trágico destino, tendo a possibilidade de reverter este quadro. Líderes globais sabem do gigantesco desafio a que estão impostos. Serão cobrados e julgados por nós – e pelas próximas gerações – pelos erros e acertos nas decisões tomadas ou postergadas.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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