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julho 24, 2013

Geração A, de Ação e Atitude, e o impacto para a sociedade e o mercado segurador

por Sônia Araripe

Basta olhar as ruas e exemplos próximos para ter certeza que o tradicional perfil de idoso mudou muito. Se até alguns anos atrás, os cabelos grisalhos, pouca atividade física costumavam caracterizar quem tem mais de 60 anos, muito mudou.

Recente pesquisa, chamada Riologia joga luz sobre o que já dava para perceber intuitivamente: a nova geração não deve nem ser chamada de idosos, foi agora rebatizada de geração A. Porque A? A de ativos, de atitude, de ação, de autônomos e de agora.

Este estudo, elaborado pela Quê/NBS e a Casa 7 Núcleo de Pesquisa, ouviu moradores da cidade do Rio de Janeiro, mas os resultados servem como caixa de ressonância de um fenômeno muito mais amplo, que acontece em várias cidades no Brasil. De acordo com Riologia, do grupo ouvido na faixa entre 60 e 75 anos 62% dos cariocas ouvidos são das classes A, B e C. Esta é uma geração antenada, que gosta de praticar exercícios com frequência, de viajar, de se relacionar, fugindo completamente do tradicional estereótipo do idoso de anos passados.

Os responsáveis pelo estudo foram às ruas em 2012 e fizeram cerca de 2.500 entrevistas, além de aprofundar as questões com 35 especialistas e ainda identificaram o que chamaram de 30 “embaixadores” que – a partir de várias rodadas de dinâmicas – ajudaram a traçar o perfil desta geração. Também gravaram depoimentos, muito interessantes, contando que não se sentem idosos, mas sim na melhor fase da vida. Muitos praticam esportes, viajam, namoram, ainda trabalham ou estão curtindo realmente os melhores momentos de suas existências.

Riologia mostra que 71% dos ouvidos ainda são provedores de sua famílias. Apenas 19% dependem da família para se sustentar. Quem disse que a Geração A não sabe se conectar e ficar atualizada com as novidades tecnológicas? Entrevistas comprovaram que 26% dos ouvidos têm Facebook ou Orkut. Outro dado interessante é a relevância também da viagem para este público: 76% dos ouvidos fazem planos para viajar. E 47% têm vida sexual ativa.

As entrevistas apontaram ainda que esta fase da vida está intrinsecamente ligada à ideia de liberdade, mas sempre junto à uma grande responsabilidade. Os entrevistados não se sentem velhos de forma alguma, pois, para eles, velho é aquele que não tem mais autonomia. Riologia indica que eles se enxergam como “adultos experientes”. Outro dado interessante é que apesar de consumir bastante, a geração A não se sente representada pela mídia e pelas marcas. Comerciais ainda costumam mostrar o mesmo perfil

Qual o impacto deste novo perfil para a sociedade e para o mercado segurador? O IBGE identificou esta mudança no perfil da sociedade brasileira. A pirâmide geracional está se invertendo: se o desenho era de uma base grande, com forte impacto dos jovens, agora, o formato já parece bem diferente, com os adultos e mais velhos mostrando impacto para formar nova figura mais “cheia”. A expectativa de vida da população brasileira –que aumentou 25,4 anos no período entre 1960 e 2010, segundo dados do Censo Demográfico 2010– chegará a 80 anos em 2040, segundo projeção do IBGE.

De acordo com relatório do IBGE, o estreitamento da base e o alargamento do topo da pirâmide etária é o caminho para uma estrutura mais envelhecida, características dos países mais desenvolvidos, que apresentam uma estrutura mais cilíndrica. Claro que para atingirmos o padrão de vida de países desenvolvidos ainda falta um longo caminho a ser percorrido, mas importantes mudanças têm sido registradas a favor da sociedade brasileira.

Todas estas mudanças estão impactando os cálculos atuariais e o mercado segurador. Seja nas apólices de vida, na carteira de saúde e muito mais. O Brasil de hoje já não é mais o de 20 anos atrás. E não será o dos próximos anos.

Outro trabalho relevante foi recentemente divulgado pela Revista RI, em artigo do Professor de Finanças Pessoais, Jurandir Sell Macedo. Pesquisa do geriatra Alessandro Gonçalves Campolino, doutorando da Universidade de São Paulo (USP), avaliou o percentual de pessoas incapazes de fazer tarefas mínimas em duas gerações de idosos, nos anos de 2000 e 2010. Os resultados são transparentes: a expectativa de vida de homens e mulheres saltou de 68 para 74 anos, mas o acréscimo foi acompanhado também no número de incapazes. Aumentou 27% para 32% das pessoas entre 60 e 64 anos em uma década e de quase 30% para 40% no caso de quem estava na faixa de 70 a 74 anos.

Este é o desafio que se apresenta pela frente: viver mais, com qualidade de vida.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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