Home » Artigos Sônia Araripe » 2015, o ano para o desenvolvimento sustentável

julho 15, 2013

2015, o ano para o desenvolvimento sustentável

por Sônia Araripe

Se em 2014 será realizada mais uma Copa do Mundo e, em 2016 será a vez das Olimpíadas – ambas no Brasil – 2015 será o ano para o Desenvolvimento Sustentável. Pouco se tem falado sobre este tema, mas esta foi uma das principais conquistas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, realizada no ano passado. A criação, em 2015, dos chamados Objetivos do Desenvolvimento Sustentável pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Estes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, os ODS, vão substituir os já conhecidos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), que deveriam ter dado o norte para as políticas públicas e privadas do planeta. Provavelmente você já viu um desenho dos ODM mostrando oito princípios super relevantes como, por exemplo, erradicar a fome e assegurar acesso à educação de qualidade para todas as crianças.

Em agosto de 2012, a pedido do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi criado um grupo super forte, sob a coordenação de ninguém menos do que o economista norte-americano, Jeffrey Sachs, para dar início às discussões que resultarão na implantação dos Objetivos em 2015.

Como se fosse uma bonita carta de intenções, os avanços dos ODMs, porém, não foram significativos para garantir o cumprimento do que havia sido estabelecido. Mas, se não funcionou antes, o que realmente irá mudar em 2015? Um rascunho do documento da ONU dos ODSs foi divulgado recentemente dando uma ideia do que virá pela frente até 2015.

A expectativa da maioria é que o Desenvolvimento possa, finalmente, ser analisado de forma interligada, unindo esforços por um mundo mais digno e socialmente justo. O documento apresentado ainda é um rascunho, é verdade, mas sinaliza em que direção deverá vir o documento final. A proposta foi desenhada por um grupo internacional de especialistas de diversas áreas e ficou aberta para consulta pública até o dia 22 de maio. As sugestões foram apresentadas e poderão vir a ser incorporadas em um texto que será analisado pela Assembleia Geral da ONU, em setembro deste ano.

Ainda não existe nada concreto em termos de metas, mas o rascunho mostra vários temas relevantes como:

1 – erradicar a pobreza extrema, inclusive a fome
2 – alcançar o desenvolvimento dentro dos limites planetários
3 – assegurar o aprendizado efetivo de todas as crianças e jovens para a vida e a subsistência
4 – alcançar a igualdade de gêneros, a inclusão social e os direitos humanos
5 – alcançar a saúde e o bem-estar para todas as idades
6 – melhorar os sistemas agrícolas e aumentar a prosperidade rural
7 – tornar as cidades mais inclusivas, produtivas e resilientes
8 – refrear as mudanças climáticas e garantir energia limpa para todos
9 – proteger os serviços ecossistêmicos, a biodiversidade e a boa gestão dos recursos naturais
10 – ter uma governança voltada para o desenvolvimento sustentável.

Dois livros recentes trazem subsídios para repensar estes temas. O primeiro é de Jeffrey Sachs e chama-se “O fim da pobreza” (Editora Companhia das Letras, 434 páginas). O segundo é do professor José Eli da Veiga, da USP, intitulado “A desgovernança mundial da sustentabilidade”, pela Editora 34, com 152 páginas. Para quem gosta de estudar e acompanhar o assunto, vale conferir as duas obras.

Sachs há anos se engajou de corpo e alma na batalha por um planeta mais justo e sustentável. O livro faz um alerta: todos os anos, 8 milhões de pessoas morrem no mundo em consequência da miséria. São milhares de mortes por dia, provocadas pela fome e por doenças como malária, tuberculose, diarreia e aids. Na África, uma criança morre a cada dez segundos em consequência da pobreza extrema. Enquanto isso, o governo americano gasta apenas 1% de seu orçamento com ajuda internacional e 25% em atividades militares. E o montante que os países desenvolvidos destinam por ano à luta contra a aids representa somente três dias de gastos com armamentos. O Nobel de Economia cobra dos mais poderosos soluções.

O professor José Eli da Veiga, mais conhecido como Zeeli, mostra que há um caminho ambiental possível entre alarmistas e céticos. Em recente entrevista ao Jornal O Globo, o economista disse que “se surgirem ODSs bem pensados, só aí haverá uma governança do Desenvolvimento Sustentável, e não governanças separadas, uma para as questões ambientais e outra para as de desenvolvimento”.

No livro, o professor da USP ilumina o complexo tabuleiro da política internacional no tocante à temerária atitude global em relação às bases naturais das quais depende o seu desenvolvimento. Mobilizando um vasto número de dados e informações, o autor cruza diversas fronteiras disciplinares, detendo-se no exame das Relações Internacionais e na análise de suas principais correntes teóricas.

Duas leituras essenciais para quem estuda Sustentabilidade. E que 2015 nos traga boas notícias.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
.

Tags:

Pin It

Notícias Relacionadas

Comments are closed.

« Anterior: Próximo »

Voltar ao topo