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junho 26, 2013

Crescimento da oferta de empregos verdes

por Sônia Araripe

Recentes estudos mostram que a migração para a chamada economia mais verde e sustentável tem gerado a criação de milhões de postos de trabalho. De acordo com último relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), intitulado “O desafio da promoção de empresas sustentáveis na América Latina e no Caribe: Uma análise regional comparativa”, apenas nos Estados Unidos foram gerados 3,1 milhões de empregos deste tipo em 2010. E no Brasil o número chegou a 2,9 milhões de posto de trabalho.

O levantamento fala na revolução em curso por conta da busca por tecnologias limpas e energias renováveis.Também as mudanças climáticas e as políticas de meio ambiente – como trabalhos de recuperação da biodiversidade e proteção às florestas, negociação de créditos de carbono, reciclagem e relacionamento com comunidades – são áreas em franco crescimento.

Por muito tempo – e ainda hoje existe esta corrente de pensamento – reinou uma polêmica se haveria redução de empregos por conta desta mudança relevante nos meios de produção. O que os levantamentos da insuspeita OIT (com sede em Genebra) têm mostrado é que de uma forma geral, o caminho tem sido exatamente o inverso: tem crescido a oferta de empregos em diferentes ramos, especialmente em países em desenvolvimento, como o Brasil. E que o atual modelo de desenvolvimento não é mais capaz de gerar emprego produtivo e trabalho decente.

Projeção feita pela OIT em outro estudo prevê que se todos os países adotarem uma economia mais verde como modelo de desenvolvimento, em 20 anos seriam criados entre 15 e 60 milhões de novos empregos no mundo.

Não será, é claro, em um passe de mágica que esta transformação acontecerá. A OIT faz vários alertas e adverte, por exemplo, para os chamados “problemas endêmicos” enfrentados pelos países em desenvolvimento, como a alta informalidade e baixa produtividade. “Sem empresas sustentáveis não haverá trabalho decente e sem trabalho decente não haverá empresa sustentável”, advertiu a Diretora da OIT para a América Latina e o Caribe, Elizabeth Tinoco.

É relevante ressaltar mais um ponto pacífico: não será da noite para o dia, e sem qualificação, que qualquer profissional conseguirá preencher este tipo de vaga. Serão necessários contínuos esforços e investimentos na formação deste novo funcionário do novo Mundo Sustentável. Pessoas capacitadas para liderar ou apenas executar tarefas terão que ser capazes de conviver com processos e estruturas bem diferentes da arquitetura corporativa linear e verticalizada em desuso. Este novo profissional deve ser capaz, acima de tudo, de lidar com diferenças, dialogar e escutar. Em recente palestra, o consultor Oscar Motomura, CEO do Grupo Amaná-Key, voltado para treinamento de líderes, deixou esta habilidade muito marcada. “Muitos profissionais se esqueceram da importância de saber ouvir”, destacou Motomura.

Os levantamentos da OIT apontam ainda ser urgente avançar na capilaridade destas mudanças: pequenas e médias empresas, responsáveis pela maior parte dos empregos gerados, precisarão estar, cada vez mais, antenadas para estas mudanças.

Mais um estudo da OIT, chamado Competências profissionais para empregos verdes: Uma visão da situação mundial assinala exatamente a relevância da formação profissional nesta migração para a economia verde. De acordo com o paper, o desenvolvimento de novas qualificações dependerá muito das circunstâncias de cada país, dos desafios ambientais, das medidas políticas e do marco normativo. O processo global, de programas internacionais consistentes, até ajuda. Mas há um intenso trabalho interno, de cada país a ser tocado.

Na parte dos riscos, a OIT tem utilizado exemplos de países que já estão mais avançados neste processo de mudança para alertar os que ainda estão engatinhando neste processo. “Economias que iniciaram a transição rumo a padrões de produção mais verdes podem aproveitar o potencial de criação de emprego se enfrentarem a mudança estrutural prevista e a transformação dos empregos existentes”, Olga Strietska-Ilina, coordenadora do estudo.

Se olharmos para a indústria de seguros, previdência, saúde e capitalização podemos enxergar uma ligação estreita com os empregos verdes. Desde sua formação, com base na segurança e mutualidade, este mercado tem papel essencial na migração para a economia de baixo carbono. Seja direta ou indiretamente. E muitas empresas estão envolvidas neste esforço. Um setor engajado nesta migração para a economia de baixo carbono.

Leia alguns estudos sobre o tema

>> Estudo sobre a criação de Empregos Verdes até 2020 (Em Português)

>> Estudo sobre Empresas Sustentáveis e criação de Empregos verdes (Em espanhol)

>> Estudo sobre Empregos verde e Qualificação (Em inglês)

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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