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junho 5, 2013

Dia Mundial do Meio Ambiente: o meu, o seu, o nosso planeta

por Sônia Araripe

Secas intensas na Região Sul do Brasil, enchentes avassaladoras na Amazônia, tornados na região central dos Estados Unidos da América, nevascas fortes em diferentes países são apenas alguns dos eventos climáticos recentes. Até mesmo os chamados céticos do clima – grupo de especialistas que passou a duvidar, ou desacreditar dos efeitos drásticos do aquecimento da Terra – não têm como contestar a realidade.

Para acentuar ainda mais este quadro, é bom lembrar dos efeitos das emissões de gases do efeito estufa. O Planeta Terra está mesmo aquecendo e passando por eventos climáticos extremos. Em recente simpósio, o ex-presidente do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) – o poderoso Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – o cientista Professor Roberto Watson, fez um alerta importante. Segundo o Professor Watson, “há uma probabilidade de 50% de se evitar um aquecimento global superior a 3°C, comparado com o nível de temperatura no início da era industrial, mas isto significa que um aumento de 5°C também é possível, o que é mais que o aquecimento no final da última era de gelo.”

O cientista chefiou o IPCC entre 1997 e 2002 e é considerado um dos maiores especialistas no tema. Ele advertiu que “todas as evidências sugerem que estamos no caminho de um mundo de 3°C a 5°C mais quente”. É possível imaginar os efeitos drásticos para nós, humanos e para toda a forma de vida na Terra – fauna, flora e ecossistemas.

Já somos cerca de 7 bilhões de habitantes nesta “nave” chamada Terra e as projeções indicam que o ritmo de crescimento da população são assustadoras. Recente estimativa prevê que em 2080, se nada for feito, o mundo poderá ter em torno de 14 bilhões de habitantes. A humanidade levou pouco mais de 200 anos – entre 1800 e 2011 – para saltar do primeiro bilhão para os atuais 7 bilhões de pessoas. O Brasil deverá evoluir dos 195 milhões de habitantes para em torno de 380 milhões de pessoas.

Excessos de fontes e recursos naturais de um lado, escassez do outro. Cientistas alertam que os sinais já podem ser vistos e não está longe o dia da guerra e migração intensa por conta da escassez de água e comida. De acordo com levantamento que acaba de ser divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), parceira do PNUMA na campanha, 1,3 bilhão de toneladas de comida são jogadas fora por ano.

Segundo a FAO, isso é equivalente ao produzido na África Subsaariana no mesmo período. Uma em cada sete pessoas no mundo passa fome e mais de 20 mil crianças com menos de cinco anos morrem todos os dias por conta de desnutrição. Isso mesmo: 20 mil crianças morrem por falta de comida a cada dia.

Diante deste cenário tão dramático, o que pensar e fazer? Como nem todo o quadro é definitivamente pessimista, é preciso também relativizar e registrar os progressos e iniciativas em curso. Diante da gravidade da crise anunciada, governos, empresas, organizações não-governamentais, sociedades e pessoas físicas estão literalmente “mergulhadas” na busca por soluções. Cada um empenhado na busca por saídas que viabilizem a chamada migração para a novíssima economia, ou economia verde, como alguns preferem chamar.

Há iniciativas em diferentes frentes, como no segmento de energia renovável, da biotecnologia, de soluções que não agridam tanto o já sobrecarregado meio ambiente. No entanto, mesmo os otimistas de plantão advertem que esta transição não será fácil. O Brasil tem – e ainda pode avançar mais – desenvolvido um papel relevante neste quadro (Leia o artigo Marcas sustentáveis: desafio e compromissos). A indústria de seguros global também tem cumprido sua parte essencial neste quebra-cabeça ao trabalhar na prevenção e no melhor dimensionamento dos riscos.

Ações aparentemente isoladas, no nosso dia-a-dia, ajudam a solidificar esta percepção menos alarmista e a nutrir a esperança que dias melhores virão. Não queremos ser considerados os culpados pelas novas gerações pelo o que está por vir. Todos os esforços devem ser mobilizados para que esta transição. O meu, o seu, o nosso planeta há de sobreviver.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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