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novembro 21, 2013

Balanços Sociais: Transparência e compromisso com a sociedade democrática e plural

por Sônia Araripe

Herbert de Souza, o Betinho, já teria entrado para a história por sua luta hercúlea no combate à fome, promovendo a inclusão social de excluídos. Sociólogo, com sólida formação acadêmica e pés muito bem fincados no chão, foi no dia-a-dia ao lidar com os menos favorecidos que o professor confirmou a urgência de um trabalho complementar por ser realizado.

Franzino, de fala mansa, mas portador dos sentimentos mais nobres de um ser humano, Betinho foi capaz de ir além e vislumbrar aonde poucos enxergavam. Percebeu ser preciso alongar horizontes e estreitar laços entre mundos que pareciam distintos. Uniu “pontas” entre a chamada elite política e empresarial e a sociedade civil e começou a literalmente pregar no deserto, defendendo o que passou a chamar de responsabilidade social das empresas, de compromisso ético e engajamento firme no processo democrático. Precursor, lançou no Brasil a ideia do Balanço social, lançou o chamado Selo Social e as defendeu com todas suas forças.

“Realizar o Balanço Social significa uma grande contribuição para consolidação de uma sociedade verdadeiramente democrática”, afirmou em 1997, quando, oficialmente, o Balanço Social foi lançado pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). Hemofílico, assim como boa parte de sua família, contraiu o vírus HIV em uma transfusão e acabou falecendo. Felizmente, semeou o suficiente para uma colheita que não chegou a ver em sua trajetória terrena, mas que confirma o legado de sua obra plural.

A comunicadora Nádia Rebouças, diretora da Rebouças & Associados, trabalhou por muitos anos com Betinho e acompanhou de perto nesta ação e em muitas outras lutas. Acaba de preparar livro, preste a ser lançados, sobre o legado do sociólogo e se emociona ao contabilizar os desdobramentos de seu legado. Ela pontua como era o cenário naquele período e reforça a relevância da comunicação e seu papel pela transformação.

Passados tantos anos, um sem número de corporações e entidades empresariais publica regularmente seus balanços sociais. O número de empresas listadas na BM&FBOVESPA que publicam relatório de sustentabilidade ou documento similar ou explicam por que ainda não o fazem aumentou de 203 para 293 entre maio de 2012 e junho de 2013. O que antes parecia pregação em deserto, rendeu frutos maduros. Se, no princípio, ainda duvidava-se se balanços sociais refletiam ações realmente comprometidas com a transparência e diálogo com os chamados públicos de interesse, ou stakeholders, hoje, passados anos de experiência e prática do diálogo permanente, há muito para ser comemorado.

Relatórios consistentes e sólidos trazem não só boas notícias como também jogam luz nos problemas e conflitos ocorridos. O sociólogo à frente do seu tempo, certamente, teria orgulho ao ver prestações de contas verdadeiras com a sociedade, que vão bem além de peças recheadas de fotos emotivas e frases de efeito.

Neste processo, novos padrões globais foram incorporados ao mercado brasileiro, o principal seguindo o GRI (Global Reporting Initiative). As chamadas partes interessadas – comunidades, investidores, acadêmicos, imprensa, etc – exerceram suas forças de persuasão e pressionam por mais e mais transparência e qualidade nas informações divulgadas.

Tudo isso em prol de um bem maior, coletivo. Iniciativas como do mercado segurador que tem divulgado há muitos anos seu Balanço Social como ação estratégia neste esforço de compromisso com a ética e diálogo. O mais recente, de 2012, mostra este engajamento.

Hoje, 59% das seguradoras têm uma área destinada a ações de Responsabilidade Social e Sustentabilidade, 67% possuem um Código de Ética e Conduta e 43% já criaram programas internos de trabalho voluntário. As informações são parte da última pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) e divulgada, recentemente, no Balanço Social da entidade.

O Balanço Social da CNseg também apresenta o panorama de contribuição do setor para o desenvolvimento da economia. No ano passado, os segmentos de seguros, previdência privada e capitalização devolveram à sociedade mais de R$ 119 bilhões em 2012 em pagamentos de indenizações, um valor 17,4% maior do que os R$ 101,4 bilhões pagos em 2011.

E os sinais são claros. Recente evento da CNseg, em parceria com a GRI, mostrou o compromisso do setor com estas práticas. A superintendente de Relação com o Mercado da CNseg, Maria Elena Bidino, anunciou que, em consonância com a quarta meta do PSI, o Conselho Diretor da CNseg definiu que atuará para que pelo menos 50% das seguradoras já contem com relatórios de sustentabilidade até 2015.

São metas e práticas que apenas reafirmam o compromisso maior com a sociedade – transparente e democrática.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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