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abril 3, 2014

O que é geoengenharia?

Intervenção humana controlada no clima tem apoio de grandes investidores

Apesar de o termo geoengenharia ainda não ser muito conhecido da maioria das pessoas, há gente poderosa acreditando no potencial desses experimentos, como, por exemplo, Bill Gates, que já doou US$ 4,5 milhões a instituições de pesquisas nessa área.

Geoengenharia é a disciplina que estuda a intervenção e manipulação controlada do clima pelos seres humanos e já conta com diversos projetos comandados por cientistas renomados, apesar dos críticos que temem que essas intervenções possam acarretar efeitos nocivos não previstos.

De acordo com Andy Parker, renomado professor da universidade de Cambridge, os modelos idealizados são ainda incipientes. “Podemos fazer muito pouco agora, uma vez que a tecnologia requerida pelos projetos não foi desenvolvida para intervir em escala global”.

SRM

O Solar Radiation Management (SRM) consiste na adoção de técnicas de reflexão de parte da radiação solar. Grosso modo, a Terra poderia ser resfriada por meio do controle da incidência dos raios solares sobre sua superfície. Mas como fazer isso? Espelhos gigantes em plena órbita, telhados de edificações urbanos com superfície branca, distribuição de aerossol de sulfato pela atmosfera e a adaptação do cloud-seeding são algumas das propostas de SRM.

Espelhos gigantes em pleno espaço

Espelhos finos e gigantescos poderiam ser colocados em órbita para refletir parte dos raios solares. O desenvolvimento dessas placas poderia levar décadas e consumiria alguns trilhões de dólares. Os efeitos da reflexão feita pelos espelhos espaciais sobre o clima da Terra são desconhecidos e o processo de acidificação oceânica não seria interrompido.

Tetos todos brancos

A pintura de branco de partes das edificações urbanas é outra das propostas feitas sob os moldes da SRM. Apesar de ser uma alternativa relativamente barata, pintar os tetos de prédios e até mesmo parte de certas avenidas pode gerar efeitos negativos às cidades: a formação de nuvens e, consequentemente, a queda de chuvas seriam prejudicadas por esta medida.

Plantas refletoras

Algumas plantas terrestres são bastante efetivas na reflexão de raios solares. Mas, mesmo sendo um processo aparentemente simples, grandes áreas de terra precisariam ser consumidas – aumento no preço de alimentos e comprometimento da resistência do solo seriam alguns dos efeitos colaterais provocados pela adoção desta técnica.

Mangueiras voadoras

A distribuição de aerossóis de sulfato pela atmosfera poderia ser feita por mangueiras com 20 km de extensão presas a um enorme balão de gás hélio. A liberação dessa substância propiciaria a reflexão de radiação solar e contribuiria também na formação de nuvens.

Nuvens “espelhadas” e spray

A técnica de cloud-seeding poderia ser adaptada: em vez de prezar pela precipitação, esta metodologia criaria nuvens capazes também de refletir radiação. No lugar de foguetes carregados com prata ionizada, os disparos levariam mais partículas refletoras (como areia e pó) para os céus. Aviões equipados com aerossóis de sulfato poderiam passear pelos ares, despejando ainda a substância química refletora como spray.

Frotas marinhas criadoras de nuvens.

Imagine uma frota de barcas com o peso total de 3 mil toneladas. Pois esta é outra das ideias que têm por objetivo providenciar o controle climático. A intenção seria navegar pelos mares e espalhar pelo planeta nuvens (nos conformes da técnica de cloud-seeding).

CDR

O segundo tipo de geoengenharia é conhecido como Carbon Dioxide Removal (CDR). Este conjunto de técnicas tem como prioridade remover o CO2 da atmosfera através da absorção. Reflorestamento, fertilização de plantas marinhas com ferro e a construção de árvores artificiais são algumas das principais propostas do CDR.

Fertilização à base de ferro

A fertilização com ferro de determinadas plantas marinhas pode aumentar a absorção de CO2. Acredita-se que o mineral é capaz de estimular o crescimento de pequenas plantas que, por conseguinte, consumiriam mais gás carbônico. À medida em que os vegetais marinhos fossem morrendo, grande parte do CO2 acabaria por se solidificar nas profundezas dos grandes oceanos.

“Cozinhar carvão”

O processo de nome biochar consiste no uso de “carvão cozido” para a absorção de CO2 do solo. Poços construídos com base nesta técnica podem “roubar” gás carbônico durante milhares de anos. O problema? O método biochar mostra-se pouco efetivo quando pensado em escala global.

Árvores artificiais e reflorestamento

Máquinas capazes de absorver CO2 da atmosfera são também outra das alternativas CDR. Mas milhões de árvores artificiais deveriam ser construídas mundo afora para que um efeito global pudesse ser notado em… Milhões de anos. O reflorestamento, naturalmente, é ainda tópico fortemente considerado pela comunidade científica.

Adição de alcalino aos oceanos

Despejar calcário (um alcalino) pelos oceanos faria com que as águas conseguissem absorver CO2. Mas alterar a composição química dos mares é prejudicial a certas espécies de animais.

Controle de técnicas e efeitos incertos

Pesquisas sobre geoengenharia ainda caminham a passos curtos. Mas os especialistas reconhecem: o efeito provocado pela adoção de procedimentos de resfriamento global é ainda desconhecido. Bloquear a entrada de raios solares é uma saída arriscada, diga-se de passagem. Prova disso foi a erupção do vulcão de Mount Pinatubo, nas Filipinas, em 1991.

Ao evitar a chegada de raios de sol à terra, toda a cinza gerada pelo fenômeno natural resfriou, em somente 2 anos, 0,5 ºC a temperatura de todo o planeta. “Se você começar a evitar a entrada de radiação, a temperatura vai cair rapidamente”, alerta ainda Parker.

Grande parte das propostas de SRM e CDR para manipulação climática é ainda mera idealização – efetivamente, pouca coisa foi de fato feita ou sequer testada. As limitações técnicas que impedem o desenvolvimento de algumas propostas justificam, por exemplo, o não desenvolvimento de espelhos gigantes espaciais.

A fertilização com ferro de plantas marinhas tem sido feita por cientistas, deve-se dizer. Contudo, os resultados deste processo só poderão ser notados dentro de décadas. A manipulação climática poderá se tornar prática corriqueira ou tudo não passa de um bem fundamentado e fantástico “placebo científico”?

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