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abril 29, 2014

Jeffrey Sachs veio ao Rio e defendeu a migração para a economia de baixo carbono

por Sônia Araripe

jeffreyO professor da Universidade de Columbia (EUA), Jeffrey Sachs, considerado hoje um dos principais interlocutores sobre Economia e Sustentabilidade, esteve no Rio de Janeiro em meados de março para o lançamento da Rede Brasileira de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (RSDS Brasil).

Ele criticou o uso desenfreado de combustíveis fósseis, alertou para os problemas causados pelo clima nas hidrelétricas, defendeu que o Brasil reforce a busca por energias renováveis e frisou a urgência da migração para a chamada economia de baixo carbono.

“Temos que descarbonizar a sociedade, procurar soluções baseadas em tecnologia de ponta. Vivemos uma crise acentuada e todos serão chamados a contribuir”, afirmou Sachs para uma plateia atenta no auditório do novo Museu de Arte Moderna do Rio, na área revitalizada do Porto carioca. Simpático, cordial, o professor americano falou durante cerca de 40 minutos para marcar o lançamento da RSDS Brasil, que será uma espécie de think thank para discutir soluções para cidades mais sustentáveis.

Na avaliação de Sachs, os governos são parte importante, é claro, neste cenário, mas não irão liderar estas mudanças tão relevantes. “Acredito que empresas e centros de pesquisa possam impulsionar esta migração por deterem tecnologia de ponta. Mas os governos também são importantes”, disse, destacando que as mudanças levam uma a duas gerações para acontecerem. O economista americano frisou também que a questão da governança também é essencial neste diálogo em curso.

Mais tarde, em entrevista para imprensa, o professor da Universidade de Columbia – autor de vários best-sellers e autor de artigos em cerca de 80 países – chegou a afirmar que não vê esta visão macro no governo americano. “No governo americano não vejo white paper (estudos estratégico para solução de problema), nem verdes, nem de cor alguma”, ironizou.
Perguntado pelos repórteres sobre o Brasil, ele reforçou a importância das fontes de energia renovável. “No Brasil, a energia tem uma emissão relativamente baixa de carbono se comparado a países como os Estados Unidos. As hidrelétricas e o biocombustível feito de cana-de-açúcar são contribuições positivas, mas o Brasil tem desafios ainda maiores à frente”, afirmou Sachs.

Parte da RSDS Mundial, a Rede Brasileira é uma iniciativa de organizações do terceiro setor, academia, governo e empresas. Seu objetivo é aproximar diferentes esferas da sociedade para disseminar soluções concretas para que os objetivos de desenvolvimento sustentável sejam alcançados.

Até o momento, a RSDS Brasil é formada por organizações como o Instituto de Economia e a COPPE da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); o Programa de Graduação em Práticas de Desenvolvimento Sustentável (MDP Brasil) e o Centro Internacional de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; o Programa Multidisciplinar Ambiental da Universidade Católica do Rio de Janeiro; o Instituto Pereira Passos (IPP); a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS); a Fundação Roberto Marinho; o Centro Rio +; o CEBDS, Pacto Global do Brasil; o Observatório de Favelas e a Conservação Internacional (CI).

Estiveram presentes ao evento de lançamento Israel Klabin, da FBDS, Sérgio Besserman, pela Prefeitura do Rio, a deputada estadual Aspásia Camargo (PV-RJ) e Marina Grossi, presidente do CEBDS, entre muitos outros. Israel Klabin fez uma pontuação histórica lembrando que, se por um lado, o pós-Segunda-Guerra trouxe inovações e desenvolvimento, também trouxe problemas sérios que exigem solução urgente. “Vivemos uma crise sem precedentes. As perguntas instigam e as soluções são muito relevantes”, completou Besserman. Marina Grossi falou sobre o papel das empresas nesta rede e Aspásia Camargo lembrou a importância da sociedade civil e dos políticos para pressionar as mudanças. A presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), Eduarda La Rocque, sugeriu que ali fique a secretaria da nova Rede.

A nova rede global foi lançada pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em agosto de 2012, e tem como objetivo mobilizar especialistas da sociedade civil e dos setores cientifico, acadêmico e privado na busca por soluções sustentáveis para problemas de escala global, nacional e local. Jeffrey Sachs é conselheiro especial do secretário-geral da ONU nas Metas de Sustentabilidade do Milênio e foi considerado pela revista The Economist como um dos três economistas mais influentes da última década.

No Brasil, a nova Rede selecionou o Rio como primeiro estudo de caso e outro foco será na Amazônia, com apoio da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). A ideia, no caso das cidades, é pensar soluções sustentáveis para cidades e o Rio de Janeiro foi escolhido entre várias outras megalópoles globais. “Queríamos que essa rede global ajudasse a pensar o desenvolvimento sustentável em algumas importantes cidades no mundo. Pensaremos soluções para o Rio. No caso da Amazônia, as soluções serão outras, é claro”, explicou. Cidades como Acra (em Gana), Bangalore (Índia), Nova York (Estados Unidos ) e Durban (África do Sul) também fazem parte do projeto.

Se alguém imaginava um acadêmico distante do mundo sustentável, ficaria surpreso ao ouvir as declarações ontem de Jeffrey Sachs. Ele advertiu que “as emissões de dióxido de carbono estão asfixiando o planeta” e criticou o consumo excessivo, por exemplo, de carne vermelha. “Gasta-se muita terra e água para produzir esta carne. Defendo o maior consumo de vegetais”, disse. Autor de recente best-seller sobre soluções para a pobreza no planeta, ele defendeu a educação como transformadora e lembrou que os milionários deveriam mesmo ser convocados a ajudar a quitar esta conta.

“O novo prefeito de Nova York defendeu mais impostos para que os muito ricos possam ajudar a financiar a educação pré-escolar universal. As pessoas acharam que ele é louco, atacaram a sugestão. Mas a ideia é correta”, citou.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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