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junho 5, 2014

Dia do Meio Ambiente: O que há – ou não para ser comemorado

por Sônia Araripe

Nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Entre os catastrofistas de plantão e os otimistas inveterados, é preciso analisar, com boa dose de ceticismo, o que realmente há – ou não – a ser comemorado neste Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho.

Por mais que alguns prefiram aliar o tema à paixão, este é um assunto acima de tudo técnico, essencial e decisivo para a não extinção das espécies no Planeta Terra, inclusive a nossa, a do “animal” homem. A melhor notícia é que já ficou bem claro que este não é um assunto apenas para ecologistas ou especialistas. O desenvolvimento sustentável passou a ser prioritário nas agendas dos líderes globais das principais potências e fóruns relevantes tentam destravar a pauta.

Por outro lado, a tirar o sono de todos é a dificuldade em conjugar a urgência das demandas atuais e os sinais emitidos pelo Planeta. Fazendo um paralelo simplificado com a Copa e o futebol, falta uma tática capaz de unir tantos atores, ou jogadores, em campo e o que é ainda mais preocupante, nenhum juiz tem conseguido colocar ordem e aplicar os cartões vermelhos e amarelos tão necessários.

O drama é que não há como pedir para o jogo parar e analisar no “slow motion”, com a ajuda da tecnologia, o que realmente aconteceu e o que pode – ou poderia – ter sido feito para evitar um gol de pênalti. Neste “jogo”, tudo acontece ao mesmo tempo, sem juízes capazes de controlar a velocidade das mudanças.

Questões urgentes, como a climática, seus efeitos para a biodiversidade, água, energia, fome, etc são apenas algumas das mais urgentes no centro do debate. Acaba de ser divulgado relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) reafirmando preocupações da comunidade científica em relação aos impactos das mudanças climáticas.

Segundo o documento, somente em 2010, 49 gigatoneladas de carbono foram emitidas na atmosfera, o maior nível da história desde que se iniciaram as estimativas. O cenário mais temerário é que a temperatura média da Terra aumente mais de 8ºC até o fim do século. Na melhor das hipóteses, deve aumentar apenas 2ºC.Mas, para que isso aconteça, teríamos de reduzir as emissões de gases-estufa em 40% a 70%, em relação aos níveis de 2010, até 2050; e a patamares próximos de zero até 2100.

E qual tem sido o papel do homem neste cenário? Estudo que acaba de ser divulgado na prestigiada Revista Science, assinado por nove pesquisadores renomados, comprova que “as ações humanas estão elevando a extinção de espécies a um índice alarmante. O desaparecimento de biodiversidade global é atualmente mil vezes mais veloz do que se ele acontecesse naturalmente, sem o impacto do homem”.

Interessante é que tem “tempero” brasileiro neste trabalho super importante: o coautor do trabalho é Clinton Jenkins, professor visitante da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, organização brasileira que atua na conservação da biodiversidade. Nove pesquisadores assinam o artigo, que também afirma que o mundo precisa encontrar nas novas tecnologias um meio de frear esse desaparecimento de espécies. Caso contrário, nesse ritmo, o planeta poderá passar por sua sexta extinção em massa

Tentando olhar pelo lado positivo, há tanta urgência nestas agendas que todos estão literalmente “mergulhados” para evitar o pior. Ficou claro que este não é um problema apenas de governos – sejam estes ricos ou de nações em desenvolvimento – organismos multilaterais, empresas e sociedade civil. Apenas com TODOS os atores participando e dialogando será possível não apenas evitar o pior, mas também achar soluções de consenso.

A tão sonhada migração para a chamada economia de baixo carbono deixou de ser literatura de especialistas para tornar-se realidade. Empresas, a academia e cidadãos comuns estão empenhadas em achar – o mais rápido possível – soluções criativas e baratas capazes de garantir o menor uso de matérias-primas ou que garantam o chamado princípio dos 3 Rs – reduzir, reutilizar e reciclar.

Entre as boas notícias, podemos citar o pagamento por serviços ambientais, a adoção em alguns estados – como no Rio de Janeiro, do ICMS Ecológico foi adotado em alguns estados e a busca pelas empresas em não só seguir o que estabelece a lei, mas ir além e procurar que toda a cadeira produtiva siga os mesmos padrões éticos e sustentáveis, como proibir o trabalho escravo e infantil.

No campo das soluções criativas há bons exemplos em todas as áreas. Citamos a mobilidade urbana (tão caótica em grandes e médios centros): como o transporte alternativo de bicicletas para entregas de encomendas no lugar de motocicletas até o compartilhamento de carros elétricos em países europeus, com a ajuda de celulares, nos mesmos moldes do que já existe em capitais brasileiras no caso das bicicletas.

O cidadão comum pode participar e tem feito a sua parte. No Brasil muitos gostariam até de fazer mais, só não sabem como.Pesquisa que acaba de ser divulgada pelo Instituto Data Popular, com exclusividade para o Portal 1 Papo Reto, mostra que os brasileiros praticam esta tal sustentalidade sem saber ao certo o nome. Principalmente quanto nota que a situação é alarmante, ou quando seu bolso é afetado, como na questão da escassez de água, presente na mídia após o verão pouco chuvoso de 2014. Em muitos casos, a mudança de hábitos ainda depende de incentivos do governo ou empresas, em propagandas e campanhas. Por exemplo, a minoria recicla, mas a maioria (77%) o faria se tivesse um sistema de coleta eficiente em sua rua.

No dia-a-dia, pequenas ações foram incorporadas por milhões, principalmente com o bom exemplo dos mais jovens: escovar os dentes só com torneira fechada e compras devem ser preferencialmente carregadas em ecobags e não em sacolas plásticas.

Claro, ainda um abismo inteiro de problemas mais do que urgentes. Mas, fiquemos apenas com alguns pontos positivos. Por estas e outras, prefiro engrossar o grupo dos otimistas.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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