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agosto 16, 2013

Lições do Brasil em relação à sustentabilidade

Professor de Cambridge escreve artigo para o The Guardian sobre o tema

Em julho deste ano, a CNseg realizou, em parceria com a Universidade de Cambridge, o Seminário Executivo do Programa de Liderança em Sustentabilidade. Entre os coordenadores do curso estava Aris Vrettos, diretor de programas abertos do Programa de Liderança em Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, que, de volta para a inglaterra, escreveu um artigo sobre como os brasileiros têm encarado a questão do desenvolvimento sustentável.

O artigo foi publicado no The Guardiam, um dos maiores e mais prestigiados jornais do Reino Unido, e é reproduzido abaixo, traduzido para o português.

Lições do Brasil: A Sustentabilidade deve permitir que as pessoas atinjam seus objetivos

Brasil vê oportunidade na sustentabilidade de um modo diferente do que é pregado nos países desenvolvidos

Caminhando ao longo do calçadão de Copacabana em uma manhã de segunda-feira, me pergunto por que as pessoas que vivem aqui se importariam com as mudanças climáticas ou com os limites do planeta. No auge do inverno brasileiro, a temperatura na praia mais famosa do Rio de Janeiro está em agradáveis 28 graus. Cariocas, os famosos nativos da cidade, correm no calçadão ou jogam futebol na praia.

Eu estava lá para ajudar a elaborar um programa de educação executiva para um grupo de CEOs reunidos sob a liderança da CNseg, a Confederação Nacional das Seguradoras, por meio do Programa da Universidade de Cambridge para Liderança em Sustentabilidade (CPSL, na sigla em inglês). “O tema da sustentabilidade sempre nos motiva”, disse Marco Antonio Rossi, o CEO da Bradesco Seguros, a maior seguradora do Brasil, e presidente da CNseg.

A agenda da sustentabilidade está se tornando importante para os líderes empresariais que têm senso de responsabilidade para com suas comunidades e o País como um todo. Encontrei brasileiros muito abertos à ciência, às novas ideias e fazendo a coisa certa – desde que eles possam se envolver neste debate.

O Brasil enfrenta desafios, como qualquer outro lugar do mundo – do contrário, seus cidadãos não teriam tomado as ruas das cidades para se manifestar. O custo de vida subiu rapidamente e, com a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas logo depois, em 2016, os impostos deverão sofrer novos aumentos. O salário mínimo brasileiro é cinco vezes menor do que o do Reino Unido, mas um apartamento decente de dois quartos em São Paulo custa o mesmo que um imóvel similar em Londres. Deficiências na saúde pública e na área de segurança são problemas tão grandes para se enfrentar quando o combate à pobreza. Surpreendentemente para um país de suas dimensões, o Brasil não tem uma boa rede ferroviária.

Além do mais, o País enfrenta um problema cuja responsabilidade todos os consumidores têm uma parcela: o desmatamento das florestas, que tem afetado uma área do tamanho do Chipre, em média, a cada ano, nos últimos cinco anos, na Amazônia, que armazena a maior quantidade de carbono do planeta (as florestas tropicais absorvem cerca de 20% das emissões de CO2 geradas a partir da queima de combustíveis fósseis). O carbono liberado das florestas devastadas e queimadas corresponde a um quinto das emissões globais e a dois terços das emissões totais do Brasil.

Na véspera do jogo final da Copa das Confederações, entre Brasil e Espanha, um artigo publicado no The Guardian previu que a “Espanha poderia ensinar uma lição ao Brasil”, citando o comprovado esquema vencedor do time espanhol contra a impulsividade do talento brasileiro.

Muitos líderes do pensamento sustentável tradicional, acostumados a altos padrões de vida e a baixas taxas de crescimento, ficam desesperados com a falta de progresso do mundo desenvolvido e apelam à rápida e radical dissociação ou interrupção do crescimento econômico. Porém, nesta parte do mundo, a sustentabilidade é para ser feita, não reprimida.

O desenvolvimento, desigual como tem sido (o Brasil aparece no topo da lista dos países com maior desigualdade de renda atualmente), é essencial. Para muitos, o sonho brasileiro significa ter uma renda mais alta, comprar um carro maior, mandar as crianças para uma escola mais cara e ter um apartamento protegido por um pequeno exército de seguranças. Mas isto não é necessariamente o futuro. “Essa não é a nossa visão de uma vida melhor”, diz Fernanda Polacow, uma premiada documentarista, em São Paulo. “Havia muitas pessoas protestando porque este desejo não é sustentável.”

De volta ao Rio, passei um dia com Marina Grossi, a dinâmica presidente executiva do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). O Conselho e o CPSL concluirão, em setembro, o primeiro Programa Executivo de Sustentabilidade do Brasil. Marina é uma ex-negociadora de questões climáticas e conhece pessoalmente figuras-chave do governo, do mundo das artes e dos negócios.

Ela me levou ao Jardim Botânico, onde realizará, este ano, o VI Congresso Internacional Sustentável 2013, reunindo ativistas, especialistas, representantes do governo e da sociedade civil. Ela leva muito a sério a ciência e o desafio enfrentado pelas empresas brasileiras, mas é otimista. Durante o passeio, ela descreve como uma banda de jazz e uma atriz performática irão influenciar o dia. “É uma experiência positiva, uma exploração”, diz com um sorriso. “Nós estamos em uma grande jornada”.

O tema do programa que será lançado em setembro é “Criando uma economia sustentável para 9 bilhões”. É claro que não podemos envolver a população jovem e vibrante ou os líderes dos países em desenvolvimento com uma mensagem que os proibam de alcançar suas aspirações. Como o “Missão Zero”, da InterfaceFLOR, de Ray Anderson, ou o “multiplicar para dividir”, da visão de Paul Polman, da Unilever, a mensagem só pode ser sobre explorar nosso potencial e usar as oportunidades para conseguir algo melhor.

E de volta ao mundo desenvolvido, devemos fazer mais para entender o que significa um mundo melhor e mais sustentável em diferentes lugares do planeta, e como podemos alcançar a sustentabilidade mantendo as pessoas produtivas. Esses são conceitos nos quais os países em desenvolvimento são muito bons – e podemos aprender com eles.

Para o registro, o Brasil venceu a Espanha por 3×0.

>> Leia aqui o artigo no original, em inglês

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