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março 26, 2012

Em Londres, até Brasil critica a falta de ambição da RIO+20

por Roberta Jansen

Representante do Ministério da Ciência e Tecnologia na Conferência Planet Under Pressure, Carlos Joly afirma que falta peso político e ambiental ao evento da ONU no Brasil

LONDRES – Representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) na Conferência Planet Under Pressure, em Londres, Carlos Joly criticou duramente, na abertura da reunião nesta segunda-feira, os preparativos do Brasil para a organização da Rio+20, em julho.

– Esperávamos mais dos documentos e da agenda oficial do encontro – afirmou. – Entendo que não é uma conferência ambiental, mas sim calcada nos três pilares, social, econômico e ambiental. Porém, o que está acontecendo é que clima e biodiversidade, por exemplo, estão de fora da conferência. Está faltando ciência. Estamos perdendo espécies num ritmo sem precedentes, somos um dos países de maior biodiversidade, e não estamos cobrindo isso bem na Rio+ 20. Vale lembrar que não teremos os pilares econômico e social sem o ambiental.

Joly afirmou ainda que está faltando peso político à conferência. Segundo ele, dos 60 chefes de estado que já confirmaram presença, a grande maioria é da América Latina e da África.

– Os mais importantes (neste tema) não estão lá. Os que têm peso político, como EUA, União Europeia, China, Japão (não confirmaram presença). E essa será uma oportunidade única, não podemos esperar mais 20 anos.

O representante do MCTI disse que o rascunho (draft zero) do documento que a ONU levará para as negociações da Rio+20 é vago demais.

– O Brasil tem um corpo diplomático reconhecido por sua capacidade de negociação e de articulação – disse. – Como anfitriões, deveríamos nos colocar mais presentes, ter um papel diferenciado, estar liderando mudanças. Precisamos de um esforço conjunto para evitar um fracasso. Por exemplo, se os chefes de estado estiverem lá e concordarem que o planeta tem limites que devemos considerar, entender e respeitar, já é meio caminho andado, mas sem isso, fica muito difícil.

Cerca de 2,8 mil especialistas de todo mundo estão reunidos em Londres para participar do “Planet Under Pressure” (“planeta sob pressão”), que começa nesta segunda-feira e vai até quinta-feira. O objetivo é reunir cientistas da área ambiental para tentar influenciar a pauta de discussões da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no Rio. Uma nova ferramenta vai ajudar os pesquisadores a entender melhor o aquecimento global. Londres abriu nesta segunda-feira o Centro de Medição de Carbono (CCM, em inglês), que permitirá obter dados mais precisos sobre as emissões de CO2.

Fonte: O Globo

 

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