Fórum Sustentabilidade & Governança

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agosto 26, 2014

Fórum Sustentabilidade & Governança

por Sônia Araripe:

Acaba de ser realizada, em Curitiba, a terceira edição do Fórum Sustentabilidade & Governança, com a presença de convidados internacionais e vários palestrantes brasileiros também com relevância nesta temática. Para um auditório lotado com cerca de 250 convidados – entre empresários, consultores e acadêmicos – dois oradores, em especial, marcaram presença.

O primeiro foi o jornalista James Astill, britânico, editor de Política da reconhecida revista The Economist. Antes de assumir o atual cargo, Astill transitou por diversas posições de destaque: foi Correspondente na Índia da publicação e também editor da área de Energia e Meio Ambiente. Ao longo de sua carreira, o jornalista viajou por diversos países, inclusive pela Amazônia brasileira, pelo Ártico e florestas ameaçadas na África e no Sudeste asiático.

O segundo convidado de renome global foi o consultor de Marketing e Branding, Gerard “Ged” Buffee, com atuação junto a empresas como Kellogs, Nestlé, e fundador da African Organic Farming Foundation. Nascido no Zimbabwe, o consultor vive hoje em Genebra (Suíça), tendo foco principalmente nos mercados europeu e norte-americano. Ele é graduado como bacharel em Administração pela University of Cape Town, da África do Sul.

O evento ainda reuniu pesos pesados do setor corporativo que apresentaram suas visões sobre sustentabilidade dentro dos modelos de negócios estabelecidos. O Fórum é uma parceria da STCP Engenharia de Projetos e da Milano Consultoria e Planejamento.

Crise climática – O editor do The Economist deu um duro recado sobre a urgência da crise climática global. Segundo James Astill, algo precisa ser feito imediatamente para evitar uma catástrofe sem precedentes. Com a experiência de quem tem acompanhado as negociações climáticas e as conferências da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável, o britânico alertou que a crise é muito grave mesmo. Recomendou um papel de maior liderança do Brasil e, principalmente, destacou a relevância das empresas brasileiras neste cenário, defendendo que o setor empresarial deveria fazer mais lobby junto ao governo na defesa da agenda sustentável.

“O Brasil tem oportunidade de fazer algo importante com relação às mudanças climáticas. Mesmo com sua indústria crescente, ainda há menos problemas ambientais [no Brasil] do que em outros países por causa de sua energia a base de água. O Brasil precisa mostrar sua liderança por causa dessa vantagem”, afirmou. “O País vive com esse meio ambiente, tem agribusiness, tem florestas e entende o que está acontecendo. Esse exemplo tem de ser levado para as negociações políticas”.

Protagonismo do Brasil – Ele lamentou que o Brasil, que se credencia no cenário macro por diversos avanços – seja no controle do desmatamento na Amazônia, em tecnologias limpas na área energética e em soluções empresariais sustentáveis – esteja posicionado atrás da China em termos de negociações pelo Desenvolvimento Sustentável. “Os chineses não ajudam, não colaboram”, reiterou.

O britânico lembrou que a China é o país líder na utilização de carvão e que faz uso de termoelétricas para a produção de energia. Para ele, se o governo chinês não adotar ações para a redução de emissão de poluentes, “não teremos nenhuma ação global séria”.

Astill mostrou os reflexos desta crise no degelo do Ártico, para as florestas e seus povos e também para a biodiversidade marinha. O jornalista lembrou que um terço dos cardumes de peixes do globo já foi capturado. “A calamidade marinha é assustadora. Cerca de três bilhões de pessoas têm suas proteínas extraídas do peixe. E elas estão expostas a coisas como a contaminação dos mares e rios pelos esgotos jogados nos oceanos, ao aumento dos níveis dos mares”.

Papel das empresas – Gerard Buffee, consultor de branding, destacou também o papel das empresas na migração para a nova economia de baixo carbono. Porém, também alertou para o papel relevante ainda a ser ocupado neste sentido.

“Na minha opinião, as empresas ainda não estão fazendo o suficiente. No lugar de cada um ficar falando de suas ações isoladas deveriam estar pensando no todo, no que podem ajudar no cenário global”, afirmou Buffee. Nos Estados Unidos, Ged é reconhecido no setor de marketing estratégico do setor de produtos orgânicos, fornecendo análises especializadas de mercado, planos de marketing e estratégias de posicionamento para as empresas dos segmentos de alimentos e bebidas orgânicas.

Sua palestra aconteceu no mesmo dia em que foi anunciado os dados do chamado “Dia da Sobrecarga da Terra” (ou “Overshoot Day”). Buffee alertou que estamos operando no vermelho. O cálculo é feito anualmente pela Global Footprint Network, uma organização internacional pela sustentabilidade, parceira global da Rede WWF. Pelo resto do ano, vamos manter o nosso déficit ecológico já que reduziremos nossas reservas e aumentaremos ainda mais a quantidade de CO2. produzidos na atmosfera. Desde 2000, a data surge cada vez mais cedo: de 1º de outubro em 2000 a 19 de agosto em 2014.

“Não podemos continuar com o mesmo modelo de produção que já chegou ao limite. É preciso se envolver realmente com o compromisso sério em defesa de um modelo que se preocupe com a preservação da biodiversidade”, reforçou o consultor. Com a experiência de quem estuda e trabalha com grandes marcas, ele reforça que ações de sustentabilidade tem sim efeito sobre a reputação das companhias, mas advertiu que ainda “há muito greenwashing”, ou seja, ações que não são realmente sustentáveis. “Precisamos de biodiversidade autêntica, que seja certificada por terceiros e que reponha se destruir algo”, concluiu Buffee.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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