Dia Nacional do Voluntariado: é dando que se recebe

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agosto 29, 2014

Dia Nacional do Voluntariado: é dando que se recebe

por Sônia Araripe:

A prática do voluntariado, que começou muito ligado à filantropia no pós-guerra, ganhou novos contornos nos últimos 20 anos e tornou-se, definitivamente, uma “corrente do bem” com alcance global. Várias iniciativas no Brasil avançaram e o que antes parecia restrito a apenas alguns grupos passou a atingir uma grande massa de pessoas de norte a sul do país.

O setor segurador, de previdência privada e de capitalização tem feito a sua parte. Diversas companhias instituíram ações voluntárias de apoio às boas causas sociais. Algumas criaram comitês, outras dedicam ao menos um dia por ano aos menos favorecidos e há as que incentivam seus funcionários a dedicarem parte de suas horas de trabalho à esta atividade.

O Dia Internacional do Voluntariado, comemorado em 29 de agosto, é um bom momento para nos debruçarmos sobre tema tão relevante. De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope em 2011 , 25% da população brasileira já realizou algum tipo de trabalho voluntário e 11% o fazem atualmente. Olhado à primeira vista, este indicador pode parecer baixo, mas o importante é a sinalização de crescimento constante: dez anos antes, em 2001, igual pesquisa chegou ao indicador de 18%. Portanto, se levarmos em conta que é um processo, uma jornada, há muito a ser comemorado.

No âmbito empresarial, as estatísticas também são consistentes. De acordo com Pesquisa do Voluntariado Empresarial no Brasil, 56,3% das empresas estão dispostas a aumentar seus investimentos em voluntariado. De acordo com dados do CBVE – Comitê Brasileiro de Voluntariado Empresarial apontam que 62% das companhias com projetos de voluntariado são empresas privadas nacionais, 19% multinacionais e 2% estatais. Em 2012, por exemplo, 50,55% das empresas com este tipo de projeto no Brasil eram de grande porte. Tais companhias têm investimentos anuais em voluntariado corporativo que variam de R$ 10 mil a R$ 500 mil.

O relatório “World Giving Index 2013”, da CAF America, estimou em 63 milhões o total de habitantes envolvidos em atividades de ajuda a desconhecidos. É praticamente um em cada três brasileiros.

Grandes eventos realizados no Brasil recentemente, como a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo, mostraram a garra e disposição de milhares de voluntários de diferentes países. Muitos daqui mesmo, que não se incomodaram com sol, chuva, frio ou calor para viabilizar estes eventos e tornar a vinda de convidados ainda mais prazerosa. Sem margem de dúvida, sem a participação destes voluntários abnegados teria sido difícil esperar igual sucesso nestes megaeventos.

Gente como o comerciário aposentado carioca, Carlos Alberto de Lima, voluntário de corpo e alma, que já trabalhou em diversos eventos: começou nos Jogos do Pan, em 2007 e nunca mais parou, tendo participado também da Rio +20 e mais recentemente da Copa do Mundo. Ele conta que é uma emoção difícil até de traduzir em palavras. A que ficou para sempre marcada foi em 2009, no Prêmio Brasil Olímpico, quando teve o privilégio de conduzir o nadador campeão olímpico César Cielo para o hotel. “Já estou me preparando para as Olimpíadas”, conta para esta colunista.

Do meio empresarial, conversamos também com o experiente executivo Rudof Höhn, ex-presidente da IBM Brasil, hoje consultor na E-Hunter. Ele tem uma vasta atividade voluntária, uma que mantém até hoje, como presidente na Ação Comunitária do Brasil. Este tipo de ação, na opinião de Höhn, muito mais do que retorno pessoal para quem faz, dá a sensação de pertencimento à uma sociedade mais justa em oportunidades para todos.

E não se deve pensar em ações voluntárias apenas em atividades que não estejam diretamente ligadas com o seu ofício. Claro que é incrível a oportunidade de pintar um muro de uma creche carente. Mas pode ser muito mais proveitoso para um advogado, por exemplo, ajudar na documentação de uma ONG ou para um securitário ajudar na administração de um cooperativa de reciclagem. Como jornalistas engajados, temos, ao longo dos anos, participado de diversas atividades voluntárias. A maioria ligada à nossa atividade: dar palestras para jovens em dúvida sobre a profissão, participar de oficinas de jornalismo comunitário, entrevistar e divulgar trabalhos relevantes de ONGs, etc.

O que não faltam são opções. Leia no site do CBVE um guia sobre voluntariado empresarial. Se você está querendo se engajar, a hora é essa. Asseguramos, é um caminho incrível por trilhar, sem volta. Por todos os lados é possível colher depoimentos assim. Pensa-se em dar, mas, na verdade, o voluntário é quem mais recebe.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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