Sinal amarelo para o trânsito

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setembro 12, 2014

Sinal amarelo para o trânsito

por Sônia Araripe:

O que parecia ser um fenômeno típico de cidades grandes passou a se generalizar até mesmo por cidades de médio e pequeno porte: o trânsito tornou-se caótico e o que é muito pior, violento. Os jornais têm trazido várias notícias de graves acidentes e também de brigas envolvendo motoristas, algumas até resultando em mortes.

O trânsito em 2013 matou 8.375 pessoas apenas em rodovias federais. As estatísticas chegam a números ainda mais alarmantes se forem levados em conta os acidentes também em rodovias estaduais e nas vias urbanas. Infelizmente morre no Brasil um verdadeiro “exército” de pessoas no auge de suas vidas em acidentes de trânsito. Destinos ceifados por tragédias, que, muitas vezes, poderiam ser evitadas. O mais dramático é que os números pioram ano após ano.

A ONG Rio Como Vamos, com base nos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), acaba de comprovar isso. Dados em outras cidades brasileiras indicam o mesmo. Quase duas pessoas morrem por dia na cidade do Rio, vítimas de acidentes de trânsito. De acordo com o Rio Como Vamos houve aproximadamente 600 óbitos por ano, de 2009 a 2013. No mesmo período, o número de registros de feridos também cresceu: saltou de 18.924 para 23.284.

A Semana Nacional de Trânsito – comemorada entre os dias 18 e 25 de setembro – foi criada justamente com a finalidade de conscientizar a sociedade, com foco na valorização da vida e no desenvolvimento de valores, posturas e atitudes. Lembro das aulas na escola de “Moral e Cívica” e dos ensinamentos em casa sobre valores, sobre civilidade, sobre os nossos direitos e também os dos outros. Relevantes também as ações em diferentes municípios voltadas para jovens estudantes, ainda bem jovens, antes mesmo de estarem em idade de tirarem suas carteiras de habilitação.

Acredito, sinceramente, que muitos dos acidentes poderiam ser evitados com a prática destes valores, posturas e atitudes. Em tempos individualistas e de cada um pensar primeiro no seu e depois no outro, não é de se espantar que no trânsito seja diferente. É neste contexto que campanhas de conscientização e educação do trânsito fazem a diferença. Para tirar o foco do bem-estar individual para jogar o holofote no outro, no coletivo, na sociedade. Slogans como “gentileza gera gentileza” ou “ceda a sua vez” são perfeitos para valorizar estes valores.

É preciso respeitar o pedestre, o ciclista, o motociclista, o motorista. Um respeitando o outro: jamais pensando no outro como um inimigo ou adversário, mas como um cidadão que poderia – quem sabe – ser alguém de sua própria família. Desculpas como – “ele começou” ou “apenas reagi” – são inaceitáveis se pensarmos neste sentido. É preciso refletir, respirar, contar até 20 se for o caso e sempre pensar no coletivo.

A perigosa mistura de direção e álcool precisa ser de vez abolida. Programas como o “Lei Seca” têm apresentado ótimos resultados e ajudam a reforçar esta conscientização. E não tão somente entre os mais jovens. Basta conferir as estatísticas e ver que muitos dos flagrados em barreiras são motoristas experientes, que sabem perfeitamente os riscos que estão correndo e a que estão expondo outras pessoas.

Várias seguradoras têm lançado e apoiado ações educativas relevantes para tornar o trânsito mais civilizado. Estas iniciativas devem ser aplaudidas. Também o esforço do poder público – em suas três esferas – de ampliar e aprofundar noções de civilidade e boa educação. Porque, no fundo, o que estamos falando é disso. Que sociedade queremos para nós e para as próximas gerações? Que legado deixaremos? A resposta começa por cada um de nós.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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