Um país mais longevo

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outubro 2, 2014

Um país mais longevo

Por Sônia Araripe

Nem é preciso confirmar nas estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, para confirmar: o Brasil de hoje é um país mais longevo. Nas ruas, nas filas e por onde se olhe, é possível perceber este envelhecimento da população brasileira. Hoje, quando se comemora o Dia do Idoso, é um bom momento para nos debruçarmos sobre o tema.

Em termos estatísticos, a população idosa brasileira é formada por maioria feminina, 55%, a maioria vive na área urbana, 84%, mais da metade é branca, 55%, e chefe de família, 64%. Isso quer dizer que estamos envelhecendo mais e melhor. A premissa é válida para todas as classes sociais, claro, relativamente às gerações anteriores.

São motores deste cenário os avanços tecnológicos aplicados à medicina e melhor tratamento dos que já passaram os 65 anos e são oficialmente considerados pela Organização Mundial de Saúde como idosos. Aliás, como profissional da Comunicação, sempre acho que as palavras costumam ter muito peso. Imagens ainda bem mais. Por isso, nunca gostei do termo idoso. Prefiro “Terceira Idade” ou “Melhor Idade”, como uma companhia aérea resolveu adotar em suas campanhas. Ou geração “A”, como algumas agências de publicidade e consultorias tratam esta faixa etária.

Independente da semântica, o fato é que este novo perfil do país precisa ser rapidamente reconhecido pela população de uma maneira geral, e, principalmente pelos administradores públicos, empresas e prestadores de serviços.

Esta coluna entrevistou o jornalista Jorge Felix,  professor do Centro de Estudos da Economia da Longevidade da PUC-SP/ FESP-SP / CIAPE, autor do livro “Viver Muito” (Editora Leya), para entender melhor este fenômeno. Com a autoridade de quem é considerado um dos principais especialistas no tema no país hoje, ele falou sobre as causas, consequências e desafios neste envelhecimento dos brasileiros.

Como na questão do avanço das práticas da medicina, com a democratização de terapias ao longo das últimas décadas. “No Brasil, mesmo uma pessoa muito pobre pode ter acesso a um medicamento que, seu avô, por exemplo, tinha muita dificuldade em adquirir, seja pela escassez ou pela inexistência”, diz Jorge Felix.

Não foi só na medicina que houve este avanço e democratização de processos e tecnologias. O professor do Centro de Estudos da Economia da Longevidade da PUC-SP destaca também a maior aplicação de tecnologias no processo produtivo, alterando as rotinas do trabalho nosso de cada dia.

“O trabalho passou a exigir menos desgaste físico. É aquela velha história de que antes rodava a manivela e hoje aperta um botão, até para subir o vidro do carro. Isso penalizou menos o ser humano. Qual a consequência disso? Uma velhice melhor em termos físicos e um descolamento da idade cronológica do conceito de velhice. Aquela velhice que está no imaginário de todos, no entanto, continua a existir, só que foi postergada para a faixa etária além dos 80 anos”, reforça o especialista.

Esta sensação de mudança do perfil geracional, ficou ainda mais cristalina outro dia, ao acompanhar a apresentação de uma nova pesquisa sobre esta chamada “Geração A”. A jovem publicitária, na faixa de 30 anos, mostrou fotos de sua avó e de sua mãe com a mesma idade, aos 65 anos. Enquanto a avó tinha o perfil clássico da idosa, com cabelos grisalhos, gordinha, grisalha e jeito de quem está pronta para fazer uma receita deliciosa, a mãe, na mesma idade, parecia uma manequim “na melhor idade”, super ativa, saudável e linda. Faça você mesmo este teste comparando fotos de sua família em diferentes gerações.

O autor de “Viver Muito” reforça que o envelhecimento humano é a grande conquista do século XXI. Jorge Felix lembra que uma parte do planeta, a África principalmente, ainda não conquistou a expectativa de vida mais longa, sendo, assim, a grande exclusão. Mas nos países do hemisfério norte, na Ásia e nas Américas, quase todas as nações passaram ou passam pela terceira etapa da transição demográfica. “Nessa fase, a taxa de mortalidade já caiu devido ao desaparecimento de várias doenças da infância, principalmente, a expectativa de vida ao nascer e a expectativa de sobrevida (aos 60 anos) aumentam ao mesmo tempo que a taxa de fecundidade cai. Isso resulta no envelhecimento da população. A longevidade, no caso do Brasil, é em média de 74 anos. Mas, como disse, a faixa dos “mais idoso”, acima dos 80, cresce robustamente”, frisa.

O que parece ser tão somente um quadro de boas notícias, de muitas oportunidades traz, é claro, desafios imensos pela frente. Como atender esta demanda crescente por serviços, produtos e melhor qualidade de vida dos mais longevos? Com os grandes centros urbanos já sobrecarregados, como atender esta população que requer atenção especial? Como garantir dignidade e qualidade de vida para nossos “jovens” idosos?

Planejar a “melhor idade” tem sido um compromisso sério e consistente nas últimas décadas do setor de seguros e previdência. Produtos e serviços têm sido ofertados e aprimorados neste sentido. E será preciso aprofundar ainda mais estes atendimentos. Afinal, o Brasil dos próximos anos não será apenas de nossos netos, como tanto se falou. Será também nosso, na melhor idade.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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