Conferência Ethos 360º comprova que a sustentabilidade é transversal e inovadora

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outubro 23, 2014

Conferência Ethos 360º comprova que a sustentabilidade é transversal e inovadora

Acaba de ser realizado, nos dias 24 e 25 de setembro, em São Paulo, a Conferência Ethos 360º, um dos principais eventos de Sustentabilidade. Tradicional, na sua 16ª edição, a Conferência – realizada pelo Instituto Ethos – tornou-se um marco na agenda de quem acompanha o tema.

A cada ano, o evento procura inovar nas abordagens, convidados (muitos internacionais) e formato. Dentre as várias inovações deste ano, a principal foi, sem dúvida, o modelo: o nome já indicava o que estava por vir, uma Conferência 360 º, com foco em inovação. Muitos inscritos se surpreenderam com a dinâmica da Conferência já ao entrar no recinto. Fones de ouvido – normalmente utilizados apenas para traduções simultâneas – eram indispensáveis.

O evento aconteceu no grande salão do World Trade Center (WTC), uma gigantesca área que abrigou todos os debates simultaneamente. A cada período – manhã, tarde e fim de tarde – eram até sete mesas de diálogo acontecendo ao mesmo tempo. Assim, quem quisesse assistir um evento e depois passar para outro, bastava dar alguns passos e trocar de canal. Cada palestrante falava em microfones diretamente para o sistema de áudio captar.

Telões imensos e parafernália eletrônica complementavam a estrutura, contando com um drone (objeto voador controlado por controle remoto que filma) e até mesmo um dirigível. O curioso é que todo o ambiente era silencioso e mais para escuro, uma experiência inusitada e intimista. Mas, além da forma, o conteúdo também foi inovador? Sem dúvida. A estudiosa da construção do futuro, Rosa Alegria, presente ao evento, resumiu os resultados: “Ninguém saiu desses dois dias sem uma reflexão sobre o que faz e o que precisa fazer”.

Cerca de 1.100 pessoas participaram da Conferência 360º, que apresentou 120 palestras. Uma verdadeira “maratona” de ideias e cases. Um dos principais destaques do evento foi o economista indiano Pavan Sukhdev, CEO da Gist Advisory e autor do best-seller “Corporação 2020”, que falou sobre a relevância das empresas para a tão sonhada migração para a economia verde, já que 74,3% dos empregos vêm do setor privado. O especialista alertou que o foco deve ser sempre o bem-estar humano, social e ambiental. “Não devem atender só os interesses dos acionistas, mas de todos os stakeholders (partes interessadas)”, afirmou Sukhdev.

Sukhdev frisou que os principais setores a serem incentivados de forma sustentável são agricultura, cidades, edificações, energia, fabricação de bens, florestas, peixes, transportes e turismo. “A economia de permanência teria como objetivo a manutenção de serviços públicos e ambientais garantindo os ecossistemas para o amanhã”.

O economista indiano não foi a única “estrela” dos dois dias de Conferência. Vários palestrantes brasileiros também se apresentaram no evento, como jovens empreendedores convidados do Centro Sebrae de Sustentabilidade (com sede em Cuiabá) e o educador Tião Rocha, do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, com 20 anos de relevante trabalho desenvolvido para a comunidade da pequena Araçuaí (norte de Minas), mas agora também com ramificações no Maranhão e outros estados. O educador alertou que é preciso entender melhor o que cada comunidade deseja e como se relaciona.

“Nós fomos treinados a olhar para a comunidade como olhamos para um copo de água pelo lado vazio, e a buscar soluções que encham o copo de fora para dentro. Os indicadores medem carências, e a partir deles os projetos são desenvolvidos. Carência é um conceito fluido e manipulável, e daí começamos a olhar o outro como desigual. Isto não é transformação, é reformismo”, disse Rocha.

Temas atuais, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos; Consumo ético; Inovação; a sustentabilidade nas pequenas e médias empresas; Direitos Humanos; Clima e energia e muitos outros foram apresentados. Na plateia executivos, consultores, jornalistas e especialistas nestes temas.

E neste novo cenário de migração para uma economia mais sustentável, qual o perfil do novo líder? Robert Wong, CEO da Robert Wong Consultoria Executiva, deixou bem claro que o novo líder não deve ser apenas aquele que motiva, mas o que inspira, dotado de um conjunto sólido de valores. Ter visão, mas também coragem para sair na frente do mercado. “Senão você será apenas um seguidor”. Como esta é uma característica que mudou na forma, mas não na essência, para comandar os outros é preciso, antes de tudo, fazer isso consigo mesmo.

A Conferência Ethos confirmou que a sustentabilidade é realmente um tema transversal que precisa ter um diálogo intenso e múltiplo.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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