A relevância do diálogo na transição para o modelo das Cidades verdes

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novembro 12, 2014

A relevância do diálogo na transição para o modelo das Cidades verdes

conferencia cidades verdes

Por muito tempo, o sonho de morar em um grande centro – com todos os benefícios – levou milhões de pessoas a se concentrar nas chamadas megalópoles. Grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e outros pareciam reunir um conjunto de facilidades capazes de não só reter seus moradores, mas também atrair “forasteiros”. Oferta de empregos, boas escolas, infraestrutura de serviços públicos, lazer variado são apenas alguns dos itens que formam a lista de facilidades.

Passadas algumas décadas, este sonho parece ter se transformado em pesadelo para muitos. De acordo com o último Censo, divulgado pelo IBGE em agosto deste ano, somos 202 milhões de brasileiros, dos quais um quinto vive no Estado de São Paulo, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. No ranking das maiores cidades, São Paulo segue na liderança com quase 12 milhões de habitantes. O Rio, em segundo, tem pouco mais da metade, e Salvador vem em terceiro.

Este resultado segue a mesma tendência mundial de megalópoles sobrecarregadas. De acordo com estimativas da ONU-Habitat (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos), metade da população do planeta vive em grandes centros e destes, um terço moram em favelas ou em assentamentos informais. Estimativas apontam que, até o ano de 2050, mais de 70% da população mundial estará vivendo em cidades.

As megalópoles dão sinais claros que não suportam mais tantas pressões e parecem emitir um sonoro SOS. Engarrafamentos (e seus altos custos para a economia – como aqui já mostramos), violência, caos nos serviços públicos e outras mazelas são alguns sinais evidentes de que algo precisa ser feito. E muito rápido. Dois recentes eventos mostraram algumas propostas na direção das tão sonhadas Cidades Verdes. Cidades sustentáveis, com mobilidade urbana inteligente, inclusivas para todos, capazes de abrigar não só sua população real, mas também receber de braços abertos visitantes e novos moradores.

Tive o privilégio de participar ativamente destes dois eventos. O primeiro chamou-se “4ª Conferência Cidades Verdes – o urbanismo diante das mudanças climáticas” e foi realizado na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, sob a coordenação do Deputado Federal Alfredo Sirkis, presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso, e a Ong Instituto Onda Azul. Vários especialistas no tema apresentaram, ao longo de dois intensos dias, soluções para que esta difícil transição para o modelo de Cidades Verdes seja feita da forma mais acertada possível.

Os especialistas lembraram que há fortes variáveis externas pressionando este cenário, principalmente as mudanças climáticas e seus efeitos perversos principalmente para os menos favorecidos. O deputado Alfredo Sirkis destacou que desenvolver uma infraestrutura menos poluente e mais resiliente exigirá algumas mudanças na ocupação do solo e também deverá prever a instalação de redes elétrica, digital e de mobilidade sustentáveis. “Precisamos de um Bretton Woods do baixo carbono, com a tributação das emissões em uma unidade de valor financeiro conversível”, afirmou, referindo-se ao Acordo lançado no pós-guerra de gerenciamento do sistema financeiro internacional que pemitiu a criação do Banco Mundial, do FMI e de outros organismos multilaterais,

Esta ideia – de uma penalização para quem emite mais – tem sido cada vez mais discutida no mundo. “Todos concordam que as grandes metrópoles devem ter um compromisso diferenciado em relação a pequenos municípios”, destacou o professor José Eli da Veiga. O economista e ambientalista Sérgio Besserman ponderou que as cidades estão procurando fazer sua parte no cumprimento de metas de redução de emissões. O climatologista Carlos Nobre – do grupo que ganhou o Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho de clima para o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) – advertiu que o Brasil já enfrenta as graves consequências das mudanças climáticas. “São Paulo hoje tem um clima totalmente diferente de anos atrás e a Amazônia também está sofrendo, primeiro com as maiores seca e depois com as maiores enchentes.” A aguda crise hídrica é mais um sinal evidente que o SOS já foi emitido.

A questão da mobilidade urbana foi bem debatida nesta Conferência. Especialistas defenderam ser urgente uma mudança rápida no modelo concentrado nos veículos particulares em detrimento do transporte de massa. “As cidades precisam de novos modelos para resolver os seus problemas”, destacou Emma Torres, conselheira para a América Latina e o Caribe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Mobilidade inteligente também foi o tema de outro grande evento também bastante relevante. O 16º Etransport e a 10ª FetransRio foram realizados entre os dias 5 e 7 de novembro, no Riocentro: são considerados os principais fóruns neste segmento de transporte viário coletivo. A exposição mostrou ônibus de última geração, com todo tipo de tecnologia existente para melhor atender os usuários. Mas não foi só a tecnologia que encantou os visitantes. Palestras com experts e a participação de todos os atores envolvidos deixou claro que apenas com um diálogo franco e aberto será possível encontrar as melhores vias para esta mudança.

Jovens integrantes de programa da Fetranspor Social, o Diálogo Jovem, mostraram que podem ajudar a acelerar este processo. Com inquietações, sugestões e um frescor que só a juventude parece manter incólume. Com o lema “só o diálogo constrói”, os jovens encerraram o solene evento entregando uma Carta de Princípios para empresários do setor de ônibus.

Cidades verdes são, sem dúvida, possíveis. Mas será preciso a participação de todos – como da indústria de seguros, relevante parte neste diálogo, que tem participado ativamente da construção desta agenda sustentável – para que cheguemos lá sem tantos impactos negativos.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros
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