Inovação e sustentabilidade

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novembro 18, 2014

Inovação e sustentabilidade

A indústria de seguros brasileira tem se engajado cada vez mais na implantação de práticas sustentáveis a fim de enquadrar as operações de seguros dentro de uma nova dinâmica mundial. Nos últimos anos, a sustentabilidade se disseminou como uma das novas palavras de ordem em todos os segmentos da sociedade e no setor de seguros não é diferente. Especialistas em gerenciar todos os tipos de riscos, instituições do setor, seguradoras e resseguradoras estão não só atentas à movimentação em prol do sustentável, mas têm implantado ações que fortalecem essa ideia.

Prova disso foi a iniciativa de construir uma matriz de materialidade de sustentabilidade e elaborar um plano de engajamento do mercado de seguros com seus stakeholders. O projeto, uma iniciativa da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), visa identificar as questões ambientais, sociais e de governança, conhecidas como ASG, com impactos mais relevantes na indústria de seguros.

Mais do que mitigar riscos, a matriz auxiliará na identificação de novas oportunidades de negócios e aperfeiçoamento do compliance das empresas. Uma diversidade de temas está em pauta: as mudanças climáticas, o envelhecimento da população, o risco regulatório, a inclusão financeira da população são alguns dos campos afetados pela sustentabilidade. Estes riscos intangíveis afetam diretamente as seguradoras, geram perdas patrimoniais e financeiras e precisam ser incluídas no modelo de negócios, em busca do crescimento sustentável. A expectativa é que, juntas, as ações traçadas pela matriz impulsionem grandes práticas sustentáveis, com benefícios diretos e indiretos para toda a sociedade.

Esta é apenas uma das iniciativas do mercado de seguros. As discussões em torno da sustentabilidade se intensificaram com a criação de uma comissão no âmbito institucional da CNseg. A ideia era reunir representantes do mercado de seguros para a troca de experiências e na criação de um plano estratégico para a adoção de ações sustentáveis pelas empresas do segmento. Mas a iniciativa resultou em um compromisso maior do que um simples debate, e aproximou o Brasil da experiência internacional.

A adesão aos Princípios para a Sustentabilidade em Seguros (PSI), da UNEP Finance Initiative (UNEP FI), da Organização das Nações Unidas (ONU) foi um grande passo em prol do sustentável. Firmado em 2012 pelas empresas do setor, o compromisso com esses Princípios despertou uma maior consciência sobre os conceitos de sustentabilidade adotados em todo o mundo. Outra iniciativa, a adesão ao Protocolo Verde, firmado com o Ministério do Meio Ambiente, trouxe novas diretrizes para a implantação de ações de responsabilidade socioambiental, reforçando o comprometimento do setor de seguros.

Com os PSI, o mercado segurador formou o compromisso público de inserir nos processos de tomada de decisão as questões ambientais, sociais e de governança que sejam relevantes para a atividade em seguros, de trabalhar em conjunto com clientes e parceiros comerciais para ampliar a conscientização sobre as questões ASG, gerenciamento de riscos e desenvolvimento de soluções; trabalhar em conjunto com governos, órgãos reguladores e outros públicos estratégicos para promover ações amplas na sociedade sobre as questões ASG; e ser responsável e transparente divulgando com regularidade, publicamente, os avanços na implementação dos Princípios.

Nesse contexto, a CNseg lançou ao mercado segurador um conjunto de metas relacionadas aos PSI. A primeira meta prevê que 40% das seguradoras integrarão as questões ASG na política de subscrição de riscos, até 2015. A segunda meta estima que 30% das seguradoras terão um programa de engajamento de corretores nas questões ASG, até 2015. Como terceira meta, 50% das seguradoras deverão integrar em suas políticas de responsabilidade social as políticas públicas oficiais dos governos municipais, estaduais e federal, até 2015. A quarta e última meta é que 50% das seguradoras reportarão questões ASG, até 2015.

Mas não foram somente debates, experiências compartilhadas e termos de compromisso que incentivaram a sustentabilidade no mercado de seguros. Para disseminar ainda mais o tema, a CNseg criou o Prêmio Antonio Carlos de Almeida Braga de Inovação em Seguros, em 2011, com o objetivo de premiar a adoção de práticas inovadoras pelas empresas do setor. Durante duas edições, em 2012 e 2013, a premiação ganhou como pano de fundo o conceito de sustentabilidade, dando incentivo para que as empresas adotassem cada vez mais práticas em prol da sustentabilidade em suas operações, seguindo uma tendência mundial.

A partir daí, foi possível verificar que as seguradoras já desenvolviam, isoladamente, ações bem-sucedidas voltadas para o crescimento sustentável, mas que não as compartilhavam com outras empresas do mercado. Isso reforça como foi positiva a implantação dessa ideia, que acabou incentivando o nascimento de muitas outras delas e até mesmo a replicação das mesmas. Quando ideias inovadoras são reconhecidas e adotadas, sempre há um estímulo para a percepção de novas oportunidades e para a reavaliação dos processos de trabalho já estabelecidos.

A iniciativa veio também para demonstrar como o setor de seguros pode se engajar com a sua própria manutenção e na geração de valor para o consumidor e a sociedade em geral. Ficou claro que respeitar os limites do planeta significa, antes de tudo, redefinir os padrões de produção e consumo em vigor no âmbito mundial. A inovação é uma transformação que tem como objetivo evoluir, em transformar boas ideias em melhores práticas e produtos que beneficiem a sociedade em longo prazo. É preciso que haja inovação para que o desenvolvimento sustentável seja conquistado.

A sustentabilidade em seguros vai além do meio ambiente: tem o objetivo de reduzir risco, criar soluções inovadoras, melhorar o desempenho nos negócios, e contribuir para a sustentabilidade ambiental, social e econômica. E a sociedade também precisa ter essa consciência. Por isso, a CNseg investiu na criação de um hotsite sobre o tema, que atualmente reúne relatórios e estudos internacionais, notícias sobre ações sustentáveis, entrevistas, entre outros temas. Esta foi mais uma das ferramentas implantadas para disseminar conhecimento sobre o sustentável e aproximá-lo do consumidor e das empresas que atuam no mercado.

Ao longo dos anos, muitas lições foram aprendidas e experiências compartilhadas. O resultado é positivo e claro: os PSI ajudaram a ampliar a compreensão, a prevenir e a reduzir os riscos ambientais, sociais e de governança, contribuindo para a qualidade da proteção contra riscos. Hoje, a necessidade de repensar a dinâmica de mercado nos fez evoluir de diversas maneiras – não só no plano das ideias, mas também nas iniciativas. Esse cenário é uma oportunidade de redefinir os padrões do próprio mercado de seguros, fortalecendo-o ainda mais como agente de desenvolvimento socioeconômico do País.

E para impulsionar ainda mais esse movimento, ideias transformadoras devem ser incentivadas, replicadas e premiadas. Não há mais tempo e nem possibilidades de negar à sociedade o que ela mais aspira: o crescimento sustentável em todas as suas nuances. A experiência já nos deu a fórmula de sucesso: uma ideia simples pode trazer grandes mudanças. O diferencial é dar um passo à frente e implantá-la.

Artigo de Solange Beatriz Palheiro Mendes, Diretora-Executiva da CNseg

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