2ª Semana Nacional de Educação Financeira: o meu, o seu, o nosso bolso

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março 16, 2015

2ª Semana Nacional de Educação Financeira: o meu, o seu, o nosso bolso

Lembro bem do primeiro investimento, iniciado aos oito anos, uma caderneta de poupança. A professora de Matemática explicou a importância de se guardar dinheiro para poder realizar sonhos. Pedi para a minha mãe, também professora, um cofrinho. Naquela época, de papelão, com reforço de material de lata nas extremidades. Depois de alguns cofrinhos cheios – não me recordo quantos – fomos abrir a tão esperada conta na agência.

O mesmo movimento se sucedeu ao longo do tempo. Além das moedas, passei a guardar também algum dinheiro de mesada e dos presentes de aniversário em espécie que as tias davam. O resultado deste movimento sei bem relatar: a caderneta ajudou a realizar o tão almejado sonho de viajar para a Europa. Claro, os pais ajudaram com as passagens e extras. Mas asseguro que os albergues e alimentação foram por conta da atitude precavida de ir, aos poucos, planejando o futuro.

O tempo correu e eis que alguns tantos anos depois, já em meados dos anos 80, jovem jornalista, ingresso nas redações na Editoria de Economia. Mais especificamente na área do Mercado Financeiro. Com os chamados mercados em plena atividade – bolsas de valores, renda fixa, etc – havia uma demanda forte por informações. Participamos do “nascimento” da mídia com foco nas chamadas Finanças Pessoais. Integrei, orgulhosamente, o time que inaugurou o famoso Caderno/Seção “Seu Bolso”, no saudoso Jornal do Brasil.

Mas qual a ligação de tudo isso com Sustentabilidade e com o Mercado Segurador? Toda e absoluta. Sem sustentabilidade não há mercado – seja o financeiro ou o segurador. E sem o conceito financeiro, o tripé econômico, não há sustentabilidade. Por isso é sempre bom reforçar a relevância da Educação Financeira. O que a nossa simpática professora de Matemática do Primário e a minha mãe fizeram foi exatamente isso: dar as primeiras noções de Educação Financeira. Para que o meu, o seu, o nosso bolso realmente se mantivesse e crescesse sustentável.

Mais adiante foi possível tornar-me uma consumidora responsável, com a possibilidade de ter acesso a diversos outros produtos, seja no mercado de seguros, de previdência, de saúde e de capitalização. Meus filhos, ao nascerem, ganharam um plano de previdência privada e também seguros de vida e de saúde. Claro que a realização deste sonho depende de renda e também de muita Educação Financeira. Apesar dos avanços, o Brasil ainda tem muito por avançar nesta correlação, com o mercado de seguros avançando dos atuais 5% do PIB, avançando sobre um campo verde, ou green field como os americanos gostam de chamar, em termos de oportunidades de crescimento, especialmente para as classes populares.

Levantamento realizado pelo Grupo Munich Re (Insurance Market Outlook 2014) aponta que o mercado global de seguros vai crescer fortemente nos próximos anos e com impulso ainda maior nos mercados emergentes. Índia, Brasil e Rússia, segundo o estudo, estarão entre os 10 primeiros no ranking de seguros primários. Em 2010, O Brasil ocupava a 15ª posição. De acordo com este levantamento, em 2020 o Brasil ocupará a 7ª posição no mercado mundial, liderado pelos Estados Unidos.

Foi com imensa alegria que acompanhei o pré-lançamento na sede da Escola Nacional de Seguros, no Rio, de uma das ações parte da 2ª Semana de Educação Financeira, que está sendo realizada de 9 a 15 de março. Ação teatral – “Suse, Perez, a atuária Natália e o sonho de Prêmio”, desenvolvida pela Cia. Ensino em Cena especialmente para a Semana Nacional de Educação Financeira, a pedido da Susep e CNseg – foi bem leve, mas, ao mesmo tempo, muito “rica” em conteúdo. Em vários esquetes, um grupo de estudantes que está terminando o Ensino Médio para seguir a Universidade dialoga sobre vários temas, sempre entremeados com conceitos dos mercados de seguros, saúde, capitalização e previdência. O objetivo é mostrar para estudantes e outros públicos que estes produtos são muito mais acessíveis do que se possa imaginar. Conceitos como “prêmio”, “atuária” e “sinistro”, são apresentados de forma lúdica.

Após a apresentação, conversando com jornalistas, o presidente da CNseg, Marco Antonio Rossi, e o titular da SUSEP, Roberto Westenberger, falaram sobre a importância de apresentar e dialogar com o grande público sobre o mercado segurador. Rossi ressaltou os avanços já registrados nesta direção, especialmente nos direitos do consumidor, traduzindo o chamado “segurês” e descortinando opções de produtos populares para as classes que estão melhorando na escala da geração de renda.

Na avaliação de Westenberger, a escola é o espaço ideal para promover a educação financeira, aplicada como tema transversal e dialogando com as diversas disciplinas do sistema de Educação do Ensino Médio e Fundamental. Ele acrescentou que desenvolver a educação financeira em sala de aula é uma importante contribuição para um futuro financeiro melhor para os estudantes e para o fortalecimento da cidadania. “Não se pode aprender a cozinhar sem os ingredientes”, frisou Westenberger.

Neste segundo ano da Semana de Educação Financeira, várias ações estão sendo desenvolvidas em um esforço conjunto de diversas entidades, com o direto envolvimento da CNseg na organização, além de outros representantes da sociedade civil e do setor público. A ENEF é coordenada pelo Comitê Nacional de Educação Financeira, formado pelos seguintes órgãos e entidades públicas e representantes da sociedade civil: Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários, Previc, Superintendência Nacional de Previdência Complementar, Superintendência de Seguros Privados, Ministério da Justiça, Ministério da Previdência Social, Ministério da Educação e Ministério da Fazenda, CNseg, ANBIMA, BMF&Bovespa e FEBRABAN e AEF-Brasil.

O lançamento da 2ª Semana, no último dia 9 de março, em Brasília, na sede do Sebrae, contou com a presença do Ministro Joaquim Levy, da Fazenda. Em 2015, a Semana ENEF acontecerá junto à Global Money Week, evento global voltado para crianças e adolescentes, e que em 2014 alcançou mais de 3 milhões de crianças e jovens em 118 países.

Se crianças, jovens – e mesmo o público adulto – tem acesso à Educação Financeira poderão, no momento oportuno, tornar-se consumidores e investidores conscientes. Todas estas ações vão ao encontro ao futuro de um Brasil com bases econômicas e sociais fortes, capazes de viabilizar uma distribuição de renda justa. Para que o seu, o meu, o nosso bolso possam refletir o que a Educação Financeira ensinou em resultados práticos suficientes para formar a base de uma Economia sólida e consolidada.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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