As diferenças entre o discurso e a prática em relação ao combate às mudanças climáticas

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junho 10, 2015

As diferenças entre o discurso e a prática em relação ao combate às mudanças climáticas

O último encontro do G7 – o grupo dos sete países mais industrializados – realizado em 7 e 8 de junho, na Baviera/Alemanha, foi encerrado com promessa de seus líderes de reduzir a influência dos combustíveis de carbono em suas economias, em uma tentativa de limitar o aumento das temperaturas médias globais em 2º C, em comparação com os níveis pré-industriais.

“Nos comprometemos a fazer nossa parte em atingir uma economia global de baixo carbono em longo prazo, incluindo o desenvolvimento e uso de tecnologias inovadoras e vamos nos empenhar em uma reestruturação do setor energético até 2050”, estava escrito no comunicado conjunto divulgado.

O comunicado dizia ainda que esses países trabalharão para doar US$ 100 bilhões por ano, até 2020, para ajudar as nações mais pobres a lidarem com os eventos climáticos extremos, inclusive com o desenvolvimento de sistemas de alerta precoce e o aumento de acesso a energias renováveis na África.

Apesar das boas intenções demonstradas, parabenizadas por muitas instituições ligadas ao meio ambiente, pesquisa divulgada recentemente pela ONG Oxfam mostrou que, dos sete países mais ricos do mundo, cinco aumentaram o uso do carvão na matriz energética entre 2009 e 2013.

Enquanto isso, também na Alemanha, na cidade de Bonn, acontecia mais uma reunião preparatória para a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre o clima ou Conferência das Partes (COP-21), que será realizada entre 30 de novembro e 11 de dezembro deste ano, em Paris, com o objetivo de criar um novo acordo climático em substituição ao Protocolo de Quioto.

Mas se na Baviera a Alemanha diz estar empenhada na redução das emissões de gases do efeito estufa, em Bonn, afirma que não se comprometerá com a redução de 20% de suas emissões de carbono nos próximos cinco anos, em relação aos níveis de 1990, conforme medida estabelecida pelo Protocolo de Kioto, de 1997.

Incoerências como essa deixam muito gente cética em relação à possibilidade de a humanidade conseguir evitar um pior cenário no futuro, inclusive o analista do Financial Times Martin Wolf, conforme artigo seu publicado hoje, 10 de junho, no Valor Econômico.

Segundo o jornalista, “temos ouvido promessas similares ao longo de quase um quarto de século e, apesar disso, só vimos aumento nas emissões e no estoque de gases do efeito estufa na atmosfera”. Ainda de acordo com Wolf, “manter as emissões no caminho necessário para limitar o aumento da mediana esperada para os recomendados 2º C, e cumprir os compromissos, exigiria uma revolução”.

Assim, a expectativa é que, até o final do século, as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono subam para 700 partes por milhão, contra 280 ppm de antes da revolução industrial e os 400 ppm atuais. Nesse cenário de 700 ppm, o aumento medio esperado da temperatura é de 3,5º C, mas com 10% de chances de superar os 6º C, com consequências catastróficas para a humanidade.

A pergunta que o articulista no Financial Times faz a seus leitores é: “Se você tivesse um risco de 10% de perder a maior parte de sua riqueza, manteria a mesma carteira de investimento?” Segundo ele, para a maioria das pessoas, a resposta seria um sonoro não.

Dando continuidade a seu raciocínio, o autor sugere que se aborde a questão das alterações climáticas como um problema de seguro contra desastres, onde o importante não é aquilo que se sabe com certeza que ocorrerá, mas a incerteza de que nada de muito ruim ocorrerá. Como as incertezas climáticas dizem respeito ao futuro, é inescapável a adoção de uma taxa de desconto para relacionar os custos ao longo do tempo. Taxa, cujo valor correto, também devido a essas incertezas, é provavelmente muito baixo.

Citando o livro “Climate Schock”, de Gernot Wagner e Martin Weitzman, também é preciso aumentar o preço mundial sobre as emissões de CO2 para US$ 40 por tonelada, bem acima do atual, de US$ 15 por tonelada, devido aos vastos subsídios à energia de combustíveis fósseis, no valor de US$ 550 bilhões anuais, mundialmente.

O artigo termina com Wolf afirmando que a resposta para uma mudança de rumo só poderia ser dada pela tecnologia, que precisam ter os custos baixados, já que a humanidade “não está disposta e, possivelmente, é simplesmente incapaz de superar os obstáculos políticos e sociais a ações coletivas.”

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