GRI lança setorial de mídia

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junho 25, 2015

GRI lança setorial de mídia

Foto:Lela Beltrão

A GRI (Global Reporting Initiative) acaba de lançar o Setorial de Mídia. O lançamento no Brasil aconteceu no último dia 17 de junho, durante o Seminário “Liberdade de Expressão e Transparência: Os Meios de Comunicação e seus Impactos na Sociedade Brasileira”, realizado na sede da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. O evento reuniu diversos especialistas da área de mídia, executivos de empresas e consultores da área de produção de balanços pela metodologia da GRI. A publicação, destinada a organizações do setor de Mídia, abrange os principais aspectos do desempenho de sustentabilidade que sejam significativos e relevantes ao setor.

“É um conteúdo relevante”, explicou Gláucia Terreo, Diretora da GRI no Brasil. O setorial, na verdade, foi lançado pela primeira vez em 2012, desenvolvido com base nas Diretrizes G3.1, mas passou por adaptações e agora foi apresentado em novo formato para facilitar seu uso em combinação com as Diretrizes G4. Para quem não está acostumado com esta terminologia, é como se fosse um upgrade, com padrões e diretrizes ainda mais completos. Para os que ainda não estão acostumados com o assunto, vale a pena conferir interessante documento mostrando as vantagens e o valor estratégico de se adotar este padrão.

No Brasil, apenas três empresas de mídia publicam Relatórios em GRI: a Editora Abril, o grupo RBS e o Grupo Gazeta, de Vitória. “Seria interessante que mais empresas seguissem este exemplo”, observou Gláucia Terreo. O professor da FGV, Aron Belinky, moderou a roda de diálogo.

Rodolfo Gutilla, presidente do Conselho do Ponto Focal Brasileiro da Global Reporting Initiative e sócio diretor da CAUSE, também destacou a importância do documento. “Reportar com clareza é essencial para que um veículo de comunicação mostre seu comprometimento com a verdade e isso deve ser feito não somente com seus acertos, mas com erros também. Os relatórios são importantes para entender o papel da indústria da comunicação na defesa da liberdade de expressão”, disse Gutilla. Com a experiência de quem foi um dos pioneiros na publicação de balanço seguindo padrão GRI – quando era diretor da Natura – Gutilla adverte que, no geral, há sempre uma tentação muito grande de só querer mostrar o que há de bom nas empresas. “Não deve ser assim.”

Brainprint- O setorial de mídia lança o conceito de brainprint , em uma alusão ao footprint, citando o impacto e influência na sociedade por meio do conteúdo da mídia. Como o paper explica, o brainprint” significa que o conteúdo pode afetar atitudes, comportamentos e a opinião pública, o que impõe outras.”
Junto com a liberdade, reforça o paper, “vem a responsabilidade, e responsabilidade exige um processo decisório ético”.

O setorial de Mídia é destinado a organizações que criam e disseminam conteúdo para consumo do público, usando as ferramentas e as plataformas de comunicação de massa. Neste caso há um amplo leque, empresas de jornalismo, de informação, opinião, entretenimento, jogos, educação, literatura, advocacy e publicidade.

O desenvolvimento do Setorial de Mídia foi iniciado e apoiado pela GRI, em parceria com a Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, a Fundácion Avina e o Curso de Jornalismo da Pontificia Universidad Javeriana, de Bogotá (Colômbia).

Seminário – Além do lançamento do documento, foi realizado pela GRI, em parceria com o Instituto Verificador de Comunicação (IVCBrasil), o seminário “Liberdade de Expressão e Transparência: Os Meios de Comunicação e seus Impactos na Sociedade Brasileira”. Especialistas debateram temas relacionados aos meios de comunicação e seu papel no movimento pela sustentabilidade.

O seminário abordou questões como regulamentação, transparência e impacto social da imprensa e das novas mídias, além da influência dos meios na visão de executivos e editores de veículos de circulação nacional que acompanham os novos modelos de desenvolvimento. O objetivo, segundo os organizadores, foi enfatizar a importância de os veículos expressarem com clareza seu papel no desenvolvimento de uma sociedade sustentável, reforçando os compromissos com a liberdade de expressão, pluralismo e diversidade, vigilância, expressões culturais e inclusão social.

Pedro Silva, presidente do Instituto Verificador de Comunicação (IVC) e da International Federation of Audit Bureaus of Circulation (IFABC), lembrou que, como um Instituto que tem como objetivo mostrar a verdade dos números, o IVC defende sempre a transparência, mas entende a dificuldade que os veículos têm para reportar seus resultados de forma estruturada, com base em um modelo universalmente válido.

Cheila Zortéa coordenadora da Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho – do Grupo RBS – apresentou a experiência com o relatório GRI. “Tem sido muito valioso para o Grupo. Temos um quadro bem real de nossas ações”, disse. O diretor de Apoio Editorial da Editora Abril, Edward Pimenta (foto), apresentou a linha editorial e o compromisso com a qualidade e com os leitores. “O jornalista continua sendo muito importante. Existe atualmente uma verdadeira catarse coletiva por conta das redes sociais. Mas o público é quem julga.” O executivo foi muito cobrado pelos pelo público sobre recentes cortes de revistas e demissões de jornalistas e também sobre o posicionamento editorial, principalmente do carro-chefe da Abril, a Revista Veja. Respondeu todas as perguntas e lembrou que o cenário macroeconômico em crise tem atingido todos os setores, inclusive o de mídia.

Mídia Sustentável – Tive o privilégio, como Editora de Plurale, de participar de roda de diálogo com colegas editores de publicações de SustentabilidadeAmália Safatle (Página 22) e Ricardo Voltolini (Ideia Sustentável/ Next) – com mediação da também jornalista Célia Rosemblum, Editora do Valor Econômico. “A mídia sustentável é muito relevante, mas, infelizmente, o segmento publicitário ainda não reconheceu isso. Normalmente, as negociações costumam acontecer diretamente com os executivos das empresas”, afirmou Ricardo Voltolini. Amália Safatle disse que a Página 22, publicação com apoio do Centro de Estudos de Sustentabilidade da FGV (GVces), passará a ser bimestral, e não mais mensal como nos últimos anos. “O jornalismo não está em crise. Mas temos que rediscutir as formas de financiamento.”

O evento contou com a parceria estratégica também da International Federation of Audit Bureaus of Circulation (IFABC), tem apoio editorial de Catraca Livre, CBN, Editora Abril, Folha de S. Paulo, Ideia Sustentável, O Estado de S. Paulo e Página 22. Os apoiadores institucionais foram CAUSE, Centro de Estudos de Sustentabilidade (GVces) e Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Sobre a GRI – A Global Reporting Initiative (GRI) é uma organização internacional independente que auxilia empresas, governos e outras organizações a entender e comunicar o impacto dos negócios em questões cruciais de sustentabilidade como mudanças climáticas, direitos humanos, corrupção e muitas outras. Na busca desse propósito, a GRI tem sido pioneira no relato de sustentabilidade desde o final da década de 1990, transformando-o de algo restrito a poucos em uma prática hoje adotada por uma maioria crescente de organizações.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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