Pacto do Rio: coalizão em torno do desenvolvimento sustentável da cidade

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julho 9, 2015

Pacto do Rio: coalizão em torno do desenvolvimento sustentável da cidade

Por Sônia Araripe

Pacto do Rio - logoO Rio de Janeiro é conhecido globalmente como Cidade Maravilhosa. Não devemos, no entanto, fechar os olhos para os desafios impostos a uma megalópole, em diferentes frentes. Seja na mobilidade, na habitação, nas desigualdades, na questão social e por aí vai. A capital que um dia foi batizada de “Cidade Partida” em livro do jornalista Zuenir Ventura tem, sem dúvida, uma longa lista de mazelas por serem solucionadas.

Na tentativa de “construir” pontes e reduzir as diferenças entre o asfalto e a favela acaba de nascer uma iniciativa tão relevante e séria quanto desafiadora: o Pacto do Rio de Janeiro – por uma Cidade Integrada, reunindo profissionais gabaritados de diferentes áreas em torno do desenvolvimento sustentável do Rio de Janeiro. Estivemos em reunião para alguns poucos formadores de opinião na qual foi apresentado o modelo de governança da iniciativa.

“Acreditamos ser possível sim trabalhar por um pacto baseado em articulação de redes para o Rio de Janeiro. Será o primeiro neste formato para uma megalópole latino-americana. Temos uma região metropolitana pobre. Com gestão descentralizada e informação compartilhada vamos conseguir transformar a cidade em um bem-estar sustentável”, explicou a economista Eduarda La Rocque, presidente do Instituto Pereira Passos, instituto ligado à Prefeitura do Rio encarregado de pesquisas, estatísticas e promoção de políticas públicas. Após trilhar carreira de sucesso no mercado financeiro, Eduarda aceitou os desafios do setor público, já tendo ocupado a Secretaria de Finanças do Município do Rio e mais recentemente partiu para a área de dados e social, no comando do IPP.

O Pacto do Rio é uma parceria público privada participativa que envolve seis segmentos da sociedade: o público, o privado, as pesquisas, o terceiro setor, os organismos internacionais e a população, principal segmento, representado pela associação Cariocas em Ação.

Ao apresentar mais detalhes de como irá trabalhar a rede colaborativa, a filósofa Viviane Mosé – outra conselheira fundadora da rede, secretária-executiva do Cariocas em Ação – comparou o Pacto do Rio com um sistema de irrigação. “Já há muitos trabalhos voltados para comunidades em curso de excelente qualidade. O que pretendemos construir são as canaletas para irrigar esta rede”, esclareceu. O consultor Marco Simões, ex-vice-presidente de Comunicação e Marketing da Coca-Cola Brasil, reforçou que não há mais tempo para esperar apenas dos políticos o compromisso de resolver as carências de uma cidade do porte do Rio de Janeiro em termos de desenvolvimento sustentável. “Não podemos mais acreditar que é possível terceirizar esta missão. A hora é esta de nos unirmos, trabalharmos em rede e cobrarmos retornos dos poderes constituídos”, resumiu.

Seis meses desde o lançamento – Lançado em dezembro de 2014 e incubado no Instituto Pereira Passos (IPP), o Pacto do Rio está completando os primeiros seis meses de atuação. Novos parceiros e conquistas fizeram parte do trabalho do Pacto neste período entre o lançamento e a estruturação.

Eduarda disse que o Pacto do Rio é “uma iniciativa única, que inaugura um modelo de governança também inédito: descentralizado, sem hierarquias e orgânico”. A governança do Pacto parte do seguinte princípio: sempre há eficiência quando as ações são feitas de forma conjunta e quando as informações são compartilhadas. O compartilhamento de informações e a atuação conjunta formam, portanto, o princípio básico do modelo de governança.

Pela proposta do Pacto – tendo como princípios combater a desigualdade e focar seus esforços na geração de oportunidades para jovens, no desenvolvimento sustentável da cidade e na integração entre asfalto e favela – a ideia será atuar em conjunto a partir da construção de uma rede de informações qualificadas e compartilhadas.

Projetos serão avaliados por especialistas e receberão um selo, certificando que aquela iniciativa merece receber apoio e investimentos. Não é só: o Pacto também terá um fundo para apoiar iniciativas relevantes e em uma fase posterior também rede de voluntários, Cariocas em ação. “Será possível doar horas e não só do asfalto para as comunidades e vice-e-versa, mas também dentro das comunidades”, explicou Eduarda.

Participou também do evento o recém-empossado presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Paulo Manoel Protássio. “Adotamos o Pacto na nossa agenda de trabalho prioritária e já cedemos espaço na nossa sede para a instalação do grupo de trabalho”, anunciou. Também fazem parte do Pacto e estiveram ontem no evento, Rique Nitzsche, da D-Think e Zeca Borges, do Disque-Denúncia.

Parcerias- São parceiros do Pacto hoje o Ministério das Cidades (Secretaria Nacional de Habitação), o Centro de Operações Rio, a Coordenadoria de Relações Internacionais da Prefeitura do Rio, a d.Think, Accenture, Binder, Agência3, Approach, CasaDigital, Noo, Instituto Igarapé, FBDS, Instituto Light, ISER, Fundação Itaú Social, Conselho Estratégico de Informações da Cidade, Rio Como Vamos, SDSN e a Bloomberg Associates. Além destas, novas parcerias estão em andamento e negociação. Um dos novos nomes que acaba de se juntar ao Pacto é a Associação Comercial do Rio de Janeiro que anunciou o Pacto do Rio como uma de suas principais plataformas na gestão do novo presidente, Paulo Protásio, recém-empossado.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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