A força da economia circular

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setembro 2, 2015

A força da economia circular

Você já ouviu falar do conceito de economia circular? Não fique preocupado se ainda não conhece esta ciência que se preocupa com o desenvolvimento sustentável aumentando a eficiência na criação de produtos e reaproveitamento de resíduos sólidos. É algo ainda bem novo, que começa a ser muito explorado em diferentes partes do planeta por corporações e acadêmicos com o objetivo de tornar o ciclo produtivo realmente sustentável, do começo ao fim da vida útil de cada produto.

Uma boa amostra disso foi visto no evento Sustainable Brands Rio 2015, realizado em agosto em hotel na Barra da Tijuca (Zona Oeste do Rio). O alinhamento com o que costumo chamar de “complexo da mulher de césar” podia ser conferido em muitos detalhes: a sustentabilidade não pode apenas ser apresentada, mas tem também que parecer. No evento, o prato servido tinha um formato menor justamente para evitar desperdício de comida; acessibilidade total; no saguão havia barracas e cadeiras de praia lembrando um ambiente genuinamente carioca e havia poucos papéis para reduzir a pegada do evento.

Ao longo de um dia, este tema da economia circular foi bem debatido na conferência. Empresas de grande porte e outras menores também apresentaram suas soluções e produtos ainda na fase de conceito. Uma das maiores fabricantes de cosméticos do Brasil está estudando com consultorias – de forma participativa, com apoio de especialistas – a melhor forma de reaproveitar embalagens em tampas de produtos e até mesmo cadeiras e skates.

Não é só. Uma multinacional americana mostrou o mesmo compromisso, reduzindo embalagens e fechando o ciclo. Também um empreiteiro de Goiânia, justamente de um setor que é recordista no baixo reaproveitamento de materiais, trouxe o case de produção de material a partir de entulhos de obras para casas populares. O que é mais interessante: uma destas casas é sempre sorteada entre um dos operários da construtora e a escolha é por voto direto entre os próprios funcionários da obra. Ganha quem mais precisa e é mais votado.

O setor de confecções é outros também conhecido por não ter no DNA o descarte correto. Pensando nisso, o Sistema Firjan acaba de lançar uma publicação muito interessante, ensinando confecções – normalmente micro e pequenas empresas – a reduzirem resíduos. Adotando as propostas do protocolo, as empresas do setor podem aperfeiçoar seus processos produtivos e reduzir, em até 25%, o desperdício.

Estudantes paulistas de Design estão sendo reconhecidos também pela iniciativa de buscar uma embalagem longa-vida mais sustentável. A ideia inovadora agora está sendo avaliada do ponto-de-vista comercial.

No mundo há diversos outros exemplos. Como a chinesa TLC, que iniciou projeto de reciclagem de eletrodomésticos. Este assunto foi tema do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, que reúne não só os principais líderes globais, como também empresários e economistas. Um relatório – chamado “Towards the Economy Circular” – produzido pela Fundação Ellen Mac Arthur. Não é o único a debater o assunto. Também o Cradle to Cradle Products Innovation Institute.

Este também foi um dos assuntos abordados na interessante palestra do consultor Gil Giardelli, CEO da empresa Gaia Creative e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e da Fundação Instituto de Administração (FIA) para executivos do mercado segurador. É bom lembrar que ainda estão abertas as inscrições para o Prêmio Antonio Carlos Almeida Braga de Inovação em Seguros. Iniciativas criativas podem ser premiadas.

O consultor mostrou ao longo de uma hora de palestra que um admirável mundo realmente novo se descortina à nossa frente. Com uma fortíssima pegada de compartilhamento. Assim, os jovens já não se importam em ter o carro ou a bike de último tipo, preferindo alugar pelo aplicativo do site. Isso já foi sentido no Brasil diante da queda-de-braço envolvendo os taxistas tradicionais e os motoristas que utilizam o aplicativo Ubber.

Giardelli falou sobre o uso cada vez maior de robôs na nossa vida e também destacou o caráter inovador e empreendedor do brasileiro. Procurar inovar é muito importante, mas isso não pode significar, alertou, que todos devemos abandonar o lado simples da vida. “Quem agrada gregos, troianos e romanos não faz inovação”, alertou, ressaltando a importância da atualização profissional em um mundo cada vez mais competitivo e globalizado. “O desafio que eu proponho a que você é que experimente a desconexão para entender o mundo em que estamos vivendo, onde todos estão conectados e insatisfeitos. A inovação passa por pessoas, processos e tecnologias”, pontuou.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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