O drama dos refugiados

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setembro 21, 2015

O drama dos refugiados

O drama de refugiados de diferentes países em conflito – seja na região do Oriente Médio ou da África – já dura anos. Foram precisas várias mortes em travessias perigosas e muita pressão até que uma foto devastadora – de uma criança, de apenas três anos, morta afogada em uma praia na Turquia, quando seus pais tentavam fugir da guerra na Síria – chamasse a atenção da sociedade para a urgência da crise. O pequeno Aylan Kurdi foi o rosto e a história mais dramática de um dos mais urgentes problemas globais.

Seu pai, Abdulá Kurdi, relatou que a família tentou asilo no Canadá, onde vivem parentes, mas não conseguiu e, no desespero, arriscou fugir pelo mar até a Ilha de Kós, na Grécia, destino que não foi atingido. Abdulá perdeu toda a família em naufrágio, vendo um a um se desprender de suas mãos. A família Kurdi fugiu de Kobane, a cidade curdo-síria na fronteira com a Turquia que, durante quase meio ano, foi duramente assediada pelo Estado Islâmico.

Em 1972, durante a Guerra no Vietnã, a foto da jovem vietnamita Phan Thị Kim Phúc, aos nove anos, correndo nua com outras crianças, queimada pelo ataque de bomba, senão mudou o rumo da História, foi o estopim para chamar a atenção do planeta para o que lá acontecia. Em 1994, Kim foi designada embaixadora da Unesco e desde então se dedica à promoção da paz e à Fundação Internacional Kim, que ajuda crianças vítimas de guerras. Mora em Toronto, no Canadá com a sua família e viaja todo o mundo com esta missão.

Mas não estamos falando de fotos ou de jornalismo. Falamos de guerra, de pessoas, de conflitos, de dramas que parecem não ter fim. São famílias inteiras de refugiados: o elo mais frágil nesta corrente são as crianças. De acordo com relatório recém-divulgado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), cerca de 2 mil crianças sírias refugiadas no Líbano correm risco de morrer de fome se não receberem auxílio imediato.

Outro relatório de agência das Nações Unidas, desta vez da UNHCR, que lida com refugiados traz ainda mais luz para o drama. Em junho deste ano já eram 60 mil refugiados se deslocando de seus países por causa de guerras e conflitos. E os números avançam rapidamente, mostrando que mais e mais refugiados estão procurando porto seguro em outros países. De acordo com a UNHCR, a Síria tem a maior população de deslocados internos (7,6 milhões) e também é o principal país de origem de refugiados (3,88 milhões, ao final de 2014) no mundo. O Afeganistão e a Somália vêm em seguida, sendo os países de origem de 2,59 milhões e 1,1 milhão de refugiados – respectivamente.

A maioria segue caminhos arriscados e corre risco de vida nas mãos de contrabandistas de pessoas. Um caminhão frigorífico foi encontrado abandonado em estrada na Áustria com vários refugiados dentro do baú frigorífico mortos. Governantes dos países europeus e das principais potências estão debruçados sobre uma solução para o tema. Não se trata apenas de uma questão político-econômica, mas também de soberania e Direitos Humanos.

São tragédias que parecem não ter fim. O Papa Francisco apelou para que todos se sensibilizem para o drama e chegou a recomendar que cada paróquia possa abrir sua igreja para receber ao menos uma família de refugiados. O problema é que enquanto as causas da crise não foram enfrentadas – com o fim das guerras e falta de perspectivas em países em convulsão – as medidas parecem ser apenas paliativas.

O Brasil tem sido um destino também procurado por refugiados. Muitos do Haiti, fugindo da pobreza e falta de perspectiva por conta do terremoto que assolou o país, atravessam a fronteira principalmente pelo Acre e não conseguem emprego em terras brasileiras. Não tem sido um recomeço de vida fácil, mas alguns estão sendo bem recepcionados e dão mostra de como são ordeiros, pacíficos e trabalhadores. É o caso de funcionários do comércio de Cuiabá e também de fábricas em Blumenau.

Este é, sem dúvida, um assunto duradouro, que não surgiu de hoje, e continuará sendo um desafio para a ordem internacional.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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