O Seguro no Brasil em 2030: fortalecendo o seguro para o desenvolvimento sustentável

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setembro 22, 2015

O Seguro no Brasil em 2030: fortalecendo o seguro para o desenvolvimento sustentável

No último dia 14 de setembro aconteceu, em São Paulo, a primeira Mesa Redonda de Seguros para o Desenvolvimento Sustentável do Brasil. Organizado pela CNseg, e em parceria com os Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI) do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente para Instituições Financeiras – PNUMA-FI (United Nations Environment Programme for Financial Institutions – UNEP-FI), o evento foi uma nacionalização do evento mundial “Insurance 2030 Global Roundtable” co-organizado pela UNEP FI e a Swiss Re em Maio de 2015. O evento contou com a presença de representantes do PSI, governo, setor de seguros e consultorias especializadas em sustentabilidade.

Segundo Butch Bacani, representante do PSI, “A mesa redonda foi uma discussão estratégica sobre como o Brasil pode aproveitar o potencial da influência do setor de seguros para o desenvolvimento sustentável, e desenvolver caminhos para ação, escala e impacto até 2030 – horizonte das novas metas de Desenvolvimento Sustentável da ONU que serão adotadas pelos governos ainda em setembro.” Durante a abertura, os participantes viram uma mensagem gravada da Secretária Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC), Christiana Figueres, que focou no papel da indústria de seguros para a transição de uma economia baseada em baixo carbono e resiliente ao clima em preparação para a Conferência das Partes a ser realizada em Paris este ano (COP 21).

A visão Seguros em 2030 é especialmente importante para o Brasil por diversos fatores relembrou Butch. O Brasil é o maior mercado de seguros da América Latina e conta com o maior número de signatários dos PSI, totalizando 9 empresas e uma instituição apoiadora. Além disso, foi o primeiro país onde a Bolsa de Valores, BM&FBovespa, incluiu os PSI em seu Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e o mercado segurador instituiu metas concretas para atingir os 4 princípios, baseadas em uma extensa pesquisa sobre as práticas ambientais, sociais e de governança das empresas associadas a CNseg.

O foco das discussões do evento foi como a indústria de seguros pode contribuir para o desenvolvimento sustentável. A indústria tem três grandes papéis: gerenciamento de riscos (físicos) investimentos e gerenciamento de riscos financeiros (Risk carrier); e por meio desses papéis pode influenciar as decisões de alocação de recursos, além de oferecer produtos e serviços que atendam as demandas de riscos ambientais, sociais e de governança (ASG) que vem surgindo. O setor de seguros é um dos maiores investidores no mundo e, por meio de suas políticas de investimentos, está liderando o movimento para uma mudança de economia baseada em combustíveis fósseis para uma economia baseada em energias renováveis e de baixo carbono, disse Christiana Figueres, da UNFCCC. O PSI hoje conta com 85 signatários que representam um quinto do mercado e 40 trilhões de dólares em reservas. Empresas que querem mudar o curso de seus investimentos e práticas em prol do desenvolvimento sustentável.

Como prova, várias práticas de empresas seguradoras e resseguradoras foram apresentadas, tanto do Brasil como no mundo (veja quadro abaixo). O que se pode notar é que em sua maioria, as iniciativas se baseiam em integração das questões ASG em suas operações, muitas vezes utilizando o modelo de parceria.

  • A Swiss Re foi a primeira resseguradora a criar uma Sustainability Risk Framework para gerenciamento de riscos e decisão de investimentos.
  • A Munich Re desenvolveu uma ferramenta de subscrição de riscos ambientais, sociais e de governança para a carteira de riscos de engenharia/infraestrutura, além de um processo de integração das questões ASG em suas operações de maneira geral.
  • O CEO da Axa se comprometeu a triplicar os investimentos “verdes” da companhia nos próximos 5 anos.
  • Em parceria com o PSI, a Axa elaborou uma pesquisa sobre a resiliência a questões climáticas em grandes cidades de todo o mundo.
  • Munich Re e International Finance Corporation (IFC) trabalham em Surety Bonds.
  • A resseguradora Terra Brasis desenvolveu um mapa de eventos climáticos no Brasil.
  • A SulAmérica Seguros aprovou diversas políticas que tem se desdobrado na incorporação de questões ASG na matriz de riscos ERM, seleção de compras e práticas de engajamento de prestadores de serviços.
  • A Brasilcap conta com uma linha de produtos de capitalização que investe parte do faturamento em projetos ambientais e de educação, totalizando mais de R$ 14 milhões em 2014.
  • A Seguradora Líder DPVAT fez uma parceria com os Correios de forma a possibilitar acesso ao seguro DPVA tem todo o território nacional.
  • A empresa Renova é a mais nova empresa do grupo Porto Seguros e tem como foco a reciclagem e descarte correto de peças automotivas geradas de sinistros do seguro automóvel.
  • A BB e Mapfre criou a Academia de Sustentabilidade onde são treinados corretores, prestadores e inspetores de riscos.
  • A MongeralAegon criou a iniciativa Eu Planejo 360 em resposta aos resultados das pesquisas para entender os efeitos da longevidade no planejamento da aposentadoria.

Além das iniciativas das seguradoras e resseguradoras membros do PSI, a própria iniciativa da UNEP FI vem desenvolvendo estudos e projetos para o maior entendimento de como integrar questões ASG na operações de seguros. Algumas delas foram mencionadas no evento:

Uma nova iniciativa da ONU será lançada durante a COP Paris sobre Climate Change Resilience – baseada no tripé antecipe, absorva e remodele (reshape) – onde se acredita que o papel do setor de seguros será chave para o sucesso. A ONU buscará no próximo mês compromissos das empresas signatárias.?

No painel dos representantes do governo, falaram sobre o marco regulatório, Banco Central do Brasil, da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e Ministério do Meio Ambiente. Nesse painel a principal discussão foi sobre o marco regulatório definido pela Lei 4327 do Bacen que traz obrigatoriedade as instituições financeiras de desenvolver uma Política de Gestão de Riscos Socioambientais. A SUSEP por sua vez, estuda uma proposta apresentada pelas empresas do setor para regulação de resíduos sólidos derivados das operações de seguros de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos e tem desde 2014 trabalhado na questão de Educação Financeira para melhorar o acesso a produtos financeiros. Já o Ministério do Meio Ambiente, mencionou a importância de se criar diretrizes quanto as melhores práticas ambientais a serem incorporadas mas empresas adaptadas aos diversos setores.

Em resposta à fala sobre a necessidade de maior integração das questões ASG nas estratégias de negócios das seguradoras, Solange Beatriz Palheiro Mendes, diretora executiva da CNseg, disse que “Sustentabilidade é sinônimo de boas práticas, como operar da melhor maneira possível olhando para as questões ambientais, sociais e de governança (ASG). E o setor de seguros deve ser o exemplo de indústria que persegue os preceitos e princípios de Sustentabilidade, por sua própria natureza que visa o bem do segurado ao repor danos e perdas.”

Seguindo a visão de Seguros 2030, fica claro depois desta enriquecedora tarde de discussões, que o caminho é longo mas possível, e que só poderá acontecer se todos os atores se unirem em prol das melhores práticas de forma a desenvolver um setor de seguros capaz de mitigar os riscos emergentes (ASG) e atender as demandas da sociedade por uma vida mais segura.

Por Adriana Boscov, Colunista da Revista Plurale

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