Conferência Ethos 2015: palestras inspiradoras para reflexão

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outubro 16, 2015

Conferência Ethos 2015: palestras inspiradoras para reflexão

Os números já dão a dimensão da grandiosidade do evento. Mas nem tão somente. Também a importância dos interlocutores e a qualidade do diálogo ajudam a destacar a Conferência Ethos 360º, a cada ano, sem dúvida, como um dos mais relevantes fóruns de sustentabilidade.

A edição deste ano – realizada nos dias 22 e 23 de setembro no Golden Hall – WTC de São Paulo – reuniu 179 palestrantes, e 1.431 participantes em uma programação intensa de 20 horas e 72 atividades. O mais interessante é que esta conferência não se destaca apenas por reunir executivos de destaque e especialistas no tema, mas por conseguir reunir ao longo de dois dias pessoas de diferentes visões. É, sem dúvida, uma conferência plural.

Assim, tanto é possível dar uma palavrinha com o CEO de uma das maiores corporações com atuação no Brasil enquanto ele aguarda a hora de sua palestra, como também é preciso aguardar em longa fila para falar com um jovem empreendedor de novíssima tecnologia que está ajudando a revolucionar a educação brasileira.

Este ano, a “receita” de sucesso misturou um pouco destes perfis de palestrantes e também vários temas dos mais variados: de corrupção à questão da diversidade; de trabalho decente à futebol; de clima à cadeia de valor, passando também por resíduos sólidos, mobilidade, gestão sustentável, empreendedorismo e muito mais.

O formato 360 graus, com até oito palestras simultâneas acontecendo no mesmo amplo espaço, sem paredes – é outra característica marcante do evento. O ambiente fica silencioso, com todos falando em microfones e a escuta sendo feita em fones de ouvido, o que facilita a tradução simultânea.

Abertura – Logo na abertura, o tema foi a prevenção e combate à corrupção, abordada por especialistas: o desembargador Fausto De Sanctis e o jurista alemão Andreas Pohlmann comentaram o papel das empresas para um ambiente de negócios mais íntegro. Celina Carpi, presidente do Conselho Deliberativo do Ethos, e Jorge Abrahão, presidente do Instituto Ethos foram os mediadores deste diálogo.

Fausto De Sanctis tornou-se conhecido por sua atuação em diversos casos de combate à corrupção e lavagem de dinheiro, como a Operação Satiagraha, e por decisões que anteciparam o conteúdo da Lei Anticorrupção Empresarial. Já Andreas Pohlmann foi responsável pelo compliance global da Siemens entre 2007 a 2010 e hoje integra o Comitê Especial criado pela Petrobras para acompanhar as investigações de corrupção na empresa. Ele afirmou, em sua palestra, que “pagar propina não é cultural em país nenhum”. Na opinião do especialista, quem faz uso desse expediente quer, na verdade, ser promovido e se aproveita de uma “lacuna” originada na alta direção das companhias, que não deixa claro aos funcionários que quer negócios limpos.

Também sobre a mesma temática, o ministro Valdir Simão, da Controladoria-Geral da União (CGU) advertiu que, além dos prejuízos aos cofres públicos, a corrupção também produz impactos negativos intangíveis, como a descrença nas instituições democráticas. Para combatê-la, o ministro Simão sugeriu trabalhar as relações éticas entre os servidores públicos, além de reduzir e monitorar a burocracia, pois o excesso de procedimentos sem a necessária vigilância está na origem de tantos ilícitos.

Bem-estar- Expoentes na migração para a chamada nova economia de baixo carbono passaram pela Conferência Ethos. Como o economista Michael Green, conhecido mundialmente por ter lançado o chamado Índice de Prosperidade Social (IPS), métrica que leva em conta outros critérios socioeconômicos, além do conhecido Produto Interno Bruto (PIB). Green destacou que é preciso também levar em conta as necessidades humanas, os fundamentos do bem-estar e as oportunidades para todos como critérios para definir o grau de desenvolvimento de um país. Em sua palestra, frisou que este não é um indicador apenas para alguns, defendendo que as empresas também apliquem o IPS para avaliar os impactos positivos e negativos de suas atividades e quanto estão colaborando com o bem-estar da sociedade.

Na Amazônia brasileira, duas empresas – uma de bebidas e outra de cosméticos – se uniram em tentativa de projeto piloto para medir os progressos locais com base no IPS, seguindo a metodologia do renomado economista norte-americano Michael Porter.

Outro ponto alto do evento foi o destaque dado para a temática de clima. Acompanhamos a exposição de Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Para quem não sabe, Achim é brasileiro e passou a infância no interior do Rio Grande do Sul, durante o período no qual seu pai, um agrônomo alemão, trabalhava em pesquisas com agricultores para aperfeiçoar cereal vendido para grandes empresas.

Praticamente às vésperas dos encontros preparatórios par a COP-21, que será realizada em Paris, em dezembro, e poucos dias antes do anúncio das metas brasileiras do clima e da Assembleia Geral da ONU, Steiner falou sobre o lançamento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Cases de empresas – O seminário também apresentou vários cases de empresas, destacando a relevância de ter toda a cadeia de valor engajada nas melhores práticas. Como o exemplo de multinacional de alimentos ao expor com detalhes o caminho do produtor ao consumidor do café solúvel. Não foi só. Também uma gigante do setor de entretenimento mostrou o compromisso com a sustentabilidade dentro da visão estratégica global, com ações concretas em várias frentes, da reciclagem à questão do clima.

Peter Lacy detalhou como o mundo inteiro está preocupado com a economia circular, tema que recentemente abordamos neste espaço e frisou que não basta às empresas e sociedades evitar desperdícios, recuperar e reciclar materiais. É preciso fazer com que esses recursos voltem ao circuito econômico-produtivo de maneira inovadora, gerando empregos, renda e oportunidades infinitas, bem como transformando o mercado e a sociedade.

Vários temas de interesse da indústria de seguros e do mercado financeiro também foram debatidos. Não faltaram abordagens e diálogos, sempre abertos e francos. Por tudo isso, a Conferência do Ethos é o tipo de evento imperdível: pela inspiração, pela rede e pela conexão.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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