Desafios para 2016 e o avanço do vírus zika

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janeiro 29, 2016

Desafios para 2016 e o avanço do vírus zika

A cada novo ano, dobramos as esperanças por tempos ainda melhores. Assim, também não poderia deixar de ser nesta virada de 2015 para 2016. Quantos maiores os desafios, maiores também a disposição por enfrentá-los. E não são poucos os desafios: no cenário internacional, também no quadro interno e no dia-a-dia das famílias de brasileiros.

Apenas para citar alguns dos temas em pauta, há as questões envolvendo a economia global, a queda da cotação do petróleo e seu impacto no mercado financeiro, o gigantesco fluxo de imigrantes tentando escapar de áreas deflagradas por guerras, fenômenos climáticos extremos e por aí vai. No Brasil, estamos sendo impactados por este noticiário e também por outras tantas manchetes especificamente nacionais, como a inflação, o aumento do desemprego, o combate à corrupção, diante do endividamento das famílias, aumento da inadimplência, etc. “Projeções apontam aumento do desemprego nos próximos meses”, segundo o economista Julio Hegedus Netto, economista-chefe da Lopes Filho & Associados e especialista do Instituto Millenium.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor 2015, que acaba de ser divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), houve redução de 1,3% no número de famílias endividadas: no ano passado, 61,1% das famílias brasileiras tinham dívidas a pagar, enquanto em 2014, 61,9% das famílias possuíam algum tipo de dívida. Apesar da tendência de redução no endividamento, ainda de acordo com a Pesquisa da CNC, o indicador de inadimplência teve um aumento de 8,4% no período, com agravamento especialmente no último trimestre do ano. O montante de famílias com contas em atraso aumentou de uma média de 19,4% em 2014 para 20,9% em 2015. “Mesmo tendo alcançado o menor patamar da série histórica em fevereiro de 2015, o número de famílias com contas em atraso aumentou ao longo do ano, acompanhando a piora nos indicadores de emprego e renda, assim como o aumento da inflação e o encarecimento do crédito”, explica a economista da CNC Marianne Hanson. O desdobramento destas estatísticas no consumo, na compra de bens e serviços, como seguros e produtos de previdência, saúde e capitalização é direto.

Zika vírus – E como se não bastasse, um “inimigo” quase invisível mostrou ter a força de um verdadeiro exército para tumultuar ainda mais o horizonte: o mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e chicungunha. O mais assustador é que a saúde pública já vinha travando há anos esta batalha contra o mosquito e, infelizmente, para prejuízo da população, a vitória até o momento é deste pequeno vetor. Os brasileiros, cidadãos comuns, têm sua responsabilidade: campanhas públicas foram deflagradas e pouco ou quase nada foi feito para combater focos do Aedes Aegypti.

Se a dengue já vinha assustando, agora, com o zika vírus e a chicungunha até mesmo bebês que nem nasceram podem ser atingidos ainda no ventre da mãe. Até o fechamento desta edição, o Ministério da Saúde informou que estava investigando em todo o Brasil 3.448 casos suspeitos de microcefalia. O novo boletim divulgado no dia 27 de janeiro aponta também que 270 casos já tiveram confirmação de microcefalia, sendo que 6 com relação ao vírus zika. Outros 462 casos notificados já foram descartados. Ao todo, 4.180 casos suspeitos de microcefalia foram registrados até 23 de janeiro. Como advertiu o pesquisador Paulo Fernando da Costa Vasconcelos, do Instituto Fernando Chagas (órgão vinculado ao Ministério da Saúde): “A dengue demorou vinte anos. A zika se disseminou em um”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), durante reunião em Genebra, alertou que o zika está se alastrando em várias partes do mundo “de maneira explosiva”. A diretora-geral da entidade, Margaret Chan, advertiu que os países devem ser “transparentes” sobre todos os casos registrados. Esta próxima semana haverá reunião extraordinária para voltar ao tema: os especialistas vão decidir se a epidemia constitui “uma urgência de saúde pública de nível internacional”. Foi assim, por exemplo, no caso do ebola. A OMS teme que sejam de três a quatro milhões doentes na epidemia de zika na América.

A Cúpula da Comunidade Latino-Americana e do Caribe (Celac), que nesta semana está sendo realizada em Quito (Equador) mudou completamente o foco da economia para debater sobre o combate ao zika vírus. E pensar que o combate ao mosquito pode ser feito por cada um, de forma simples e sem custos levando menos de 10 minutos diários. A aplicação do chamado fumacê e a ação de agentes de saúde pública auxiliam, mas não substituem a relevância da vigilância em relação à sua moradia – e as redondezas. Este caso deixa lições relevantes a serem aprendidas por todos. Se cada um fizer a sua parte – e vigiar os vizinhos – é possível sim evitar a proliferação de doenças que já deveriam estar erradicadas no Brasil do Século 21.

A memória do cientista e médico-sanitarista Oswaldo Cruz, que deixou um legado invejável para a Ciência brasileira e mundial, deveria ser respeitada. Parece não ter sido. Quem gostar do tema pode tentar achar pela internet ou em sebos o livro Vida e obra de Oswaldo Cruz, por Clementino Fraga, editado pela primeira vez em 1972 e reeditado pelo Instituto Oswaldo Cruz em 2005. Para quem não sabe, Oswaldo Cruz estudou por três anos com os melhores no tema no famoso Institut0 Pasteur, em Paris, tendo sido discípulo de Émile Roux, que era na época o diretor. Retornou ao Brasil em 1889 e participou ativamente do combate ao surto de peste bubônica, transmitida por ratos, em Santos e outras cidades portuárias. O sanitarista alertou que era preciso ter o soro adequado para combater a peste, mas como a importação era demorada, o governo de então autorizou a criação de um instituto para fabricá-lo. Era o começo de sua luta pela produção de vacinas e remédios que combatessem as pestes e doenças da época. Em pleno Século 21, quem diria, Cruz é mais atual do que nunca.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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