A sustentabilidade é feminina

Home » Artigos Sônia Araripe, Home, Notícias » A sustentabilidade é feminina

março 8, 2016

A sustentabilidade é feminina

Artigo de Sônia Araripe:

Sustentabilidade é um substantivo feminino, como indica o dicionário, de acordo com a classe gramatical. Praticada, é claro, por homens e mulheres ao longo dos anos nos mais diferentes países deste planeta cada vez mais conectado. Mas, aproveitamos esta data marcante, 8 de março, quando é celebrado o “Dia Internacional da Mulher”, para lembrar de milhares, milhões de mãos e vozes femininas que escreveram a história da sustentabilidade até hoje através do legado deixado por algumas das principais lideranças.

Começamos por Gro Brundtland, diplomática e médica, que, quando primeira-ministra da Noruega entrou para a História não tão somente por ter sido a primeira mulher chefe de governo do seu país, mas, principalmente por ter ter presidido – de 1083 até 1987 – a Comissão Brundtland da ONU, dedicada ao estudo do meio ambiente e a sua relação com o progresso. Tão relevante a sua liderança, que o Relatório sobre o tema, “Nosso futuro comum” levou o seu nome e marcou todo o pensamento do que viria depois em torno do meu, do seu, do nosso planeta. Atualmente, Gro é Enviada especial para as Alterações Climáticas da ONU.

Também a escritora Rachel Carson, escritora, bióloga e ecologista norte-americana, autora do famoso “Primavera silenciosa”, originalmente lançado em 1962. A obra continua tão atual e importante que uma reedição em português continua vendendo como se atual fosse. Vale conferir. O livro documentou os efeitos nocivos dos pesticidas no ambiente, particularmente em pássaros. Carson disse que tinha sido descoberto que o DDT causava a diminuição da espessura das cascas de ovos, resultando em problemas reprodutivos e em morte.

Mais recentemente, do Paquistão, a jovem Malala Youfsafzai conquistou o Prêmio Nobel da Paz em 2014 por sua luta contra o grupo armado Talibã, defendendo o direito de outras tantas moças em seu país a estudar. Sua história rodou o mundo através de documentário. De acordo com relatório da ONU, no Paquistão, menos da metade das meninas frequenta a escola. Aos 15 anos, Malala quando voltava de ônibus da escola foi brutalmente atingida por uma tentativa de assassinato e ficou entre a vida e e morte apenas por defender o direito dela e de todas as meninas do seu país a estudar, através de um blog. Um dos tiros a atingiu o lado esquerdo da testa, percorrendo o rosto e atingindo o ombro. Recebeu tratamento na Inglaterra, felizmente sobreviveu, mudou-se com a família para lá, ganhou fama e criou um Fundo, que atua na causa em vários países.

As mulheres estão presentes em várias atividades. De acordo com dados da Food and Agriculture Organization (FAO), da Organização das Nações Unidas (ONU), mais da metade dos alimentos que chegam às mesas em todo o mundo são produzidos pelas mulheres, principalmente por meio da agricultura familiar.

E nas nações menos desenvolvidas, a presença delas no agronegócio é ainda mais expressiva: mais de 70% das mulheres economicamente ativas nesses países trabalham na agricultura. Na África e no Caribe, por exemplo, 80% dos trabalhos domésticos e rurais são executados pelas mulheres. Elas produzem até 80% dos gêneros alimentícios básicos. Ressalta-se que na África, cerca de 70% de toda a mão de obra agrícola é constituída por mulheres, que produzem 90% da comida daquele continente.

Estudo que está sendo divulgado esta semana mostra a forte atuação de mulheres em negócios sociais no Brasil. De acordo com a pesquisa “Empreendedores de Impacto”, coordenada pela Artemisia e conduzida pela Din4mo, as mulheres respondem por apenas 31% dos negócios de impacto social, de acordo com a pesquisa. Muitas destas histórias temos ajudado a contar em nossa trajetória de oito anos de Plurale.

Tivemos o privilégio também de conhecer uma das mais influentes brasileiras na busca por um desenvolvimento sustentável nos últimos anos: a médica Dra. Zilda Arns Neumann. Foi a nossa primeira entrevistada de Plurale, em 1988, quando a revista nascia. Simples, mas muito firme e determinada, mostrou que cabe à mulher o desafio de combater a desnutrição infantil em diferentes pontos deste Brasil tão continental. Viúva, criou com determinação cinco filhos. Esta descendente de alemães contou não só sobre a fundação (junto à CNBB) e a história da Pastoral da Criança, mas também a sua trajetória de luta. Jamais esqueço do que disse nesta entrevista: sobre como ajudou milhares de mulheres a garantir a sobrevivência de seus filhos, com soluções relativamente simples. As ações da Pastoral salvam a cada ano cerca de 5 mil vidas.

Também no cenário executivo, inclusive no mercado segurador, a força feminina se faz presente em cargos com foco em sustentabilidade. Mulheres que, ao lado de lideranças masculinas, têm conseguido resultados relevantes na conquista de avanços por ações sustentáveis em corporações. Porque esta não é uma luta de classe e gênero. Se sonhamos com um futuro em base da economia verde, não há espaço para este tipo de polarização.

Em recente artigo, o professor Luis Antônio Gaulia, fala sobre o saber e querer cuidar. “O querer cuidar é o entusiasmo maior de fazer acontecer um mundo melhor para as gerações futuras, numa entrega de um legado valioso, respeitoso e amoroso para o dia de amanhã. Saber e querer cuidar, então, traduzem de forma simples o significado da sustentabilidade para as nossas vidas diárias. ” A todas e todos, um “Dia da Mulher” de reflexão e inspiração. Para mulheres e homens.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

Tags:

Pin It

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

« Anterior: Próximo »

Voltar ao topo