Questão do clima exige urgência

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maio 5, 2016

Questão do clima exige urgência

Líderes de 171 países ratificaram, em solenidade na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o Acordo de Paris, no último dia 22 de abril, cheio de simbolismo por ser O Dia da Terra. O acordo global sobre clima prevê o combate aos efeitos das mudanças climáticas e a redução das emissões de gases de efeito estufa e foi aprovado durante a 21ª Conferência das Partes (COP21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Paris, em dezembro de 2015.

O peso desta ratificação não foi só pela urgência da temática: foi a maior adesão a um tratado internacional de toda a história. Para que entre em vigor, porém, o novo regime climático precisa ser ratificado, ou seja, aprovado como lei, por pelo menos 55 países, que respondam por 55 das emissões mundiais. Ainda é necessária a assinatura do acordo, até fim de abril de 2017, e a ratificação nacional, conforme as regras de cada país, podendo ser por meio de votação no Parlamento ou de decreto-lei, por exemplo.

De acordo com notícia bem recente, o governo brasileiro pretende entregar ao Congresso Nacional nos próximos dias o pedido de ratificação do Acordo de Paris. Segundo Izabella Teixeira, os ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores já estão preparando a documentação para a mensagem presidencial ao Congresso. Depois de recebida, a tramitação no Parlamento é relativamente rápida, em uma comissão especial nas duas Casas ou apenas no Senado.

Mudança – Vale registrar também que acaba de acontecer a mudança no comando da Convenção do Clima da ONU. Sai Christiana Figueres, da Costa Rica, e entra a experiente diplomata mexicana, Patrícia Espinosa, que comandou a COP-16. Ela terá desafios e tanto pela frente.

A presidente Dilma Rousseff não só assinou o Acordo de Paris, como discursou na ONU e chamou a atenção para a relevância da questão climática, reforçando que o documento é apenas o começo de um caminho desafiador para países desenvolvidos e em desenvolvimento. “O caminho que teremos que percorrer agora será ainda mais desafiador, transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos; realizarmos compromissos que assumimos irá exigir a ação convergente de todos nós, de todos os nossos países e sociedades rumo a uma vida e uma economia menos dependente de combustíveis fósseis, dedicadas e comprometidas com práticas sustentáveis na sua relação com o meio ambiente”, disse Dilma.

O discurso repercutiu bastante entre especialistas que acompanham este assunto de perto. A presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), Marina Grossi, destacou que foi um marco histórico sem precedentes. “É preciso agir rápido para inverter essa curva, pois a sustentabilidade será, cada vez mais, diferencial competitivo em um mundo que caminha para uma economia de baixo carbono”, afirmou ela. O Brasil está hoje entre as 10 nações que mais emitem gases de efeito estufa (GEE) e com tendência crescente para essas emissões.

Já na avaliação de Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, o discurso da Presidente frustrou expectativas. “A presidente Dilma frustrou quem esperava uma demonstração de grande liderança do Brasil na ação contra a crise climática hoje em seu discurso na cerimônia de assinatura do Acordo de Paris. A presidente preferiu apenas reafirmar compromissos já anunciados, em vez de dizer como o país pretende aumentar sua ambição climática daqui para a frente.”

Pode parecer praticamente uma missão impossível conciliar desenvolvimento e sustentabilidade em tempos atuais, com a redução expressiva de emissões. Mas estudo divulgado há poucas semanas comprova que é possível sim acreditar em um final ao menos de bom senso nesta busca. Análise feita pelo World Resources Institute – WRI mostrou que 21 países conseguiram manter crescimento econômico entre 2000 e 2014 enquanto, ao mesmo tempo, reduziam suas emissões dos gases de efeito estufa causadores do aquecimento global e das consequentes mudanças climáticas globais. Alguns exemplos colecionados por esta análise são eloquentes: entre 2000 e 2014 a economia francesa cresceu 16% enquanto o país reduziu suas emissões em 19%; o Reino Unido cresceu 20% enquanto suas emissões baixaram em 27%; a República Checa cresceu 40% enquanto suas emissões caíram em 14%; e os EUA cresceram 28% enquanto reduziram suas emissões em 6%.

Temperaturas recordes– Nunca esta questão foi tão relevante. De acordo com alerta feito pela agência meteorológica da ONU –a OMN– o mês de março registrou a temperatura de cerca de 1ºC acima da média calculada para o período durante o século passado. O derretimento de gelo no Ártico e na Groenlândia já quebrou recordes em 2016 e, em fevereiro, concentração de CO2 na atmosfera ultrapassou limite adequado. Na Austrália, o branqueamento dos recifes de corais – que teve início em 2015 – piorou em nesse ano devido às temperaturas recordes do oceano. A Grande Barreira de Corais australiana foi uma das faixas do litoral mais afetada.

Pelo Brasil temos sinais mais do que claros deste alerta. Ciclones na Região Sul, excesso de frio em regiões antes de calor intenso, como Cuiabá (MT) e chuvas fortes são provas cabais do alerta do planeta.

Alguém ainda tem dúvidas que a questão do clima exige urgência?

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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