Inovação é o melhor caminho para a Economia Circular

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junho 14, 2016

Inovação é o melhor caminho para a Economia Circular

O consultor holandês Douwe Jan Joustra – considerado um dos maiores especialistas globais sobre Economia Circular – foi o destaque em Seminário sobre o tema, realizado recentemente na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Segundo ele, inovação é, sem dúvida, um dos diferenciais para empresas interessadas em fazer parte deste processo.

Ao contrário do que muitos pensam, reiterou o palestrante, não se deve confundir a Economia Circular com reciclagem. “É um conceito muito mais amplo. Para repensar a produção. Claro, envolve também a ideia da vida útil do produto, mas o que estamos falando, em um cenário de recursos finitos, é de como construir produtos que possam ser transformados e reaproveitados”, explicou. O escritório da empresa que lidera, em Amsterdam, é um bom cartão de visitas. A questão da iluminação era decisiva e foi chamada uma gigante do ramo para estudar uma fórmula que garantisse um serviço de qualidade, sem gastar tanta energia e de custo razoável.

“Não estamos falando apenas de trocar lâmpadas comuns por outras mais econômicas. Pedimos o desenvolvimento de um conceito que se encaixasse na prática da Economia Circular”, explicou. Em três anos, a economia de energia foi de 60%. E assim, sempre com cases, Joustra apresentou uma plataforma em seu país que compartilha desde máquinas copiadoras até equipamentos pesados de terraplanagem ou empilhadeiras.

Mostrou também o exemplo do Aeroporto de Amsterdam, estrategicamente pensado para ser sustentável e seguir o conceito da economia circular. A Economia Circular é um modelo que propõe mudar essa linearidade, sem estagnar o desenvolvimento econômico e mantendo a entrega de valor ao consumidor. Conforme já mostramos aqui em artigo anterior, quem quiser se aprofundar no tema deve conferir algumas “bíblias”, como o Relatório da Fundação Ellen MacArthur , também ler sobre célebre programa de certificação chamado “cradle-to-cradle” e conhecer o movimento em curso na Holanda e começando a ficar consistente também no Brasil.

De acordo com estimativa deste relatório, a a adoção de princípios da economia circular pode garantir que as empresas europeias faturem 900 bilhões de euros a mais até 2030. De que forma? Por vários caminhos, é claro, mas especialmente pelo desenvolvimento de tecnologias mais avançadas, usadas para transformar resíduos em matéria-prima; da economia financeira gerada pela redução no uso de recursos naturais; e do ganho de competitividade promovido por esses dois fatores. Países como a Dinamarca e até mesmo a China – tida por muitos como pouco preocupada com as questões sustentáveis ao longo dos anos recentes – estão mergulhados nesta busca.

Interessante ver no evento da Firjan móveis feitos a partir de madeira reconstituída e também uma grife que reutiliza peças de jeans que seriam descartadas. O evento também apresentou cases de micro, pequenas e grandes empresas que conseguiram expandir negócios e ampliar sua rentabilidade por meio dessa economia. Algumas das possibilidades estão na oferta de serviços em substituição à venda do produto, nas novas plataformas de compartilhamento e na utilização de matérias-primas mais duráveis, que otimizam e agregam valor à produção.

Um dos cases apresentados foi o da Holanda, que criou uma aceleradora para trabalhar as diversas vertentes do modelo circular de economia com empresas. De acordo com o especialista Douwe Jan Joustra, o Brasil tem um grande potencial para se destacar nessa nova economia. “Redesenhem seus negócios, pensem em como aproveitar ao máximo a matéria-prima e a mão de obra disponível. Mais do que sustentabilidade, economia circular é diz muito sobre fazer negócios”, destacou.

O evento também debateu sobre os aspectos práticos da logística reversa para o setor de embalagens, trazendo as iniciativas de organizações não governamentais e boas práticas do setor empresarial.
O Ação Ambiental é um projeto anual da Gerência de Meio Ambiente do Sistema FIRJAN. O seminário foi promovido em parceria com a Exchange 4 Change, o Consulado Geral do Reino dos Países Baixos no Rio de Janeiro e o Cempre.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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