Eventos SBRio 2016 e a primeira Conferência Ethos no Rio marcaram a agenda carioca

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julho 6, 2016

Eventos SBRio 2016 e a primeira Conferência Ethos no Rio marcaram a agenda carioca

O Rio de Janeiro foi palco de dois relevantes eventos com foco em sustentabilidade em junho. A tradicional Conferência Ethos teve a sua primeira versão carioca e o também relevante SBRio ganhou uma nova edição no reurbanizado Centro histórico da Cidade Maravilhosa.

Em ano olímpico, não por acaso as duas conferências aconteceram no Rio, pouco antes da realização dos Jogos Olímpicos e em locais que remeteram – diretamente – ao megaevento esportivo e seu legado. A Conferência Ethos carioca teve como cenário o novíssimo Bossa Nova Mall, junto ao Aeroporto Santos Dumont, em vista deslumbrante da Marina da Glória e a Baía de Guanabara. Já o SBRio 2016 foi realizado no Armazém da Utopia, na área portuária antes desativada que agora renasce com a derrubada da Perimetral e descortina o belo casario histórico com o passeio a pé ou de VLT no Calçadão Luiz Paulo Conde, prefeito carioca falecido que um dia sonhou com todas estas transformações agora em curso.

Ambos eventos foram inovadores não só na escolha da localização, mas também no formato e, especialmente, em suas abordagens. A Conferência Ethos em versão carioca seguiu o mesmo modelo 360º da bem-sucedida e consagrada Conferência paulista, este ano a ser realizada em setembro. Só que em versão pocket, digamos assim, mas nem por isso menos reflexiva: se em São Paulo são realizadas sete palestras sobre diferentes temas ao mesmo tempo a cada rodada, no Rio foram três simultâneas. Os ouvintes – e também o palestrante – usam fones de ouvido e as falas são transmitidas pelos aparelhos e microfones, o que facilita também as traduções e o ambiente fica absolutamente silencioso. Quem ainda não conhece este formato é muito interessante.

No Ethos foi possível ouvir importantes conferencistas sobre temas mais do que atuais como a transparência dos Jogos Olímpicos no Rio, clima, a corrupção, indicadores, combate ao trabalho escravo e a diversidade dentro das empresas. A gerente-geral de Sustentabilidade da Rio 2016, Tânia Braga, apresentou os esforços dos organizadores em fazer esta Olimpíada no Brasil a mais transparente possível. No entanto, de acordo com estudo divulgado pelo Instituto Ethos no evento, nenhum dos três níveis de governo analisados conseguiu atingir 50% do Índice de Transparência dos Jogos Rio 2016. A Prefeitura do Rio de Janeiro foi o nível de governo mais bem colocado no Índice de Transparência dos Jogos Rio 2016, ficando à frente do governo federal e do governo estadual. No entanto, sua avaliação foi ruim: fez apenas 40,93 pontos em uma escala que varia de zero a 100. O governo federal, ficou logo atrás, com 38,42 pontos. Já o estadual obteve apenas 23,86 pontos

Um dos painéis mais concorridos na Conferência Ethos foi o que reuniu especialistas sobre a Lei Anticorrupção. Rafael Jardim, titular da Secretaria Extraordinária de Operações Especiais e Infraestrutura do TCU participou de diálogo sobre o tema e reiterou: “Por que a lei é ‘Anticorrupção’? Porque é decisiva na prevenção, detecção e punição de atos ilícitos”

Para quem ainda não conhece, Sustainable Brands é a maior comunidade global de profissionais dispostos a utilizar a sustentabilidade como direcionador de negócios e de geração de valor das marcas. No SBRio 2016, o convite já destacava o foco da conversa: propósito, interligado às marcas e pessoas que fazem diferença. Como o famoso arquiteto e designer Marcelo Rosenbaum que apresentou os resultados de projeto envolvendo comunidades carentes, como no interior do Piauí, através do Instituto A Gente Transforma. Depois de muito procurar e conversar com moradores locais da pequena cidade de Várzea Queimada, Marcelo e equipe descobriram cestos de palha velhos que eram produzidos pelas senhoras mais velhas. “Mostramos que aqueles objetos tinham valor, todos produziram novos e levamos inclusive para editoriais de moda com modelos internacionais”, contou.

Não foi só. Uma roda de diálogo sobre moda mostrou não só o lado da inovação, mas também o perigo de uma indústria altamente poluidora e geradora de resíduos no mundo. Também no SBRio 2016, representante de uma grande empresa de distribuição de energia elétrica, com controladores globais, apresentou modificações no programa de bonificação anual, sugerida por funcionários. Como no ano passado 20 empregados e colaboradores tinham falecido e/ou ficado inválidos permanentes com acidentes de trabalho, a decisão foi de atrelar a divisão das bonificações não só por métricas financeiras e de resultados operacionais, mas também de indicadores socioambientais.

Enfim, temas para refletir e repensar a economia deste século. Não é fácil, mas com reflexão e propósito o caminho promete ser, ao menos, mais seguro.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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