O poder de transformação do Esporte

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agosto 11, 2016

O poder de transformação do Esporte

Não há dúvida: o Esporte tem um poder de transformação fortíssimo. Ajuda também a inspirar, a melhorar o desempenho escolar, a tirar crianças do perigoso desvio das ruas e, especialmente, a garantir foco e disciplina. Enquanto este artigo estava sendo escrito, ainda entusiasmada com a colossal Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, chegou a confirmação da Medalha de Ouro para a judoca carioca Rafaela Silva.

Melhor exemplo não há para confirmar esta tese. Rafaela Silva, 24 anos, é a prova dos nove que é possível sim acreditar na transformação pelo mérito e esforço individual e coletivo. A menina que gostava de brincar com os meninos de futebol, é de família pobre, nascida na Cidade de Deus e passou por momentos bem difíceis até chegar ao lugar mais alto do pódio. O pai era motoboy e entregador de pizzas e a mãe vendia botijão de gás e água na porta do circo popular para ajudar a criar duas filhas. Quis o destino que a vitória na Categoria Leve do Judô, de até 57 quilos, tivesse um gosto ainda mais especial, por ter sido “em casa”, literalmente: Rafaela e a sua família moram na Cidade de Deus, a poucos minutos do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, também na Zona Oeste do Rio.

O talento para o judô de Rafaela foi “descoberto” pelo experiente técnico Geraldo Bernardes, um craque neste ofício. Foi ele quem acreditou no olhar de guerreira e foco de campeã da menina que começou no projeto social de judô com apenas 10 anos. Pagou do próprio bolso para que Rafaela pudesse competir e passou a treiná-la na escolinha do Instituto Reação, dirigido por outro campeão olímpico, o judoca Flávio Canto, desde 2003. A emoção do encontro dos dois “padrinhos” de Rafaela – Geraldo Berrardes e Flávio Canto – com a atleta, transmitida ao vivo pela televisão, foi emocionante. Mostrou os elos sólidos entre quem acredita e quem precisa de ânimo e apoio para seguir em frente. Rafaela chegou a pensar em desistir da carreira depois de uma série de problemas desencadeados com uma falta técnica ao competir nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Foi encorajada por seus técnicos e por quem sempre acreditou na sua vocação. Também sofreu absurdos ataques racistas nas redes sociais e precisou de ajuda de especialistas para não perder o foco, nem a disposição para vencer fora e dentro dos tatames.

Suas entrevistas são marcadas por relatos desta trajetória incrível. Contou que ficou sem chinelos em uma brincadeira na rua e precisou “ficar mais esperta” para enfrentar as adversidades. Percalços que caracterizam as vidas de outros tantos jovens espalhados por este Brasil tão vasto, quanto diverso. Diversas modalidade de esportes têm recebido impulso e fôlego desde que, organizações puderam captar recursos pela Lei de Incentivo ao Esporte, sancionada em 2006, que permite às empresas destinar até 1% do Imposto de Renda para financiar projetos desta natureza.

Algumas destas empresas são do setor de seguros gerais, de saúde, de previdência privada e de capitalização. Contribuindo decisivamente para que novas Rafaelas possam também um dia não só vencer as barreiras, mas até, quem sabe, subir no pódio. Muitos destes investimentos podem ser conferidos nos Relatórios de Sustentabilidade do setor e de cada empresa/grupo individualmente. De acordo com o Relatório de Sustentabilidade da CNseg de 2014, 57% das empresas utilizavam os benefícios das leis de incentivos fiscais: Lei Rouanet, Fundação para Infância e Adolescência – FIA, e Lei de Incentivo ao Esporte.

Dados mais gerais – e não apenas do setor segurador- também podem ser obtidos no Censo do Gife 2014, uma das principais pesquisas sobre investimento social privado no Brasil, ao apontar que 18% das organizações declararam que fazem uso da Lei de Incentivo ao Esporte.     Ainda de acordo com o Censo do Gife, é possível observar tendência de aumento nas áreas de esporte e recreação. Em 2007, 27% das organizações atuavam na área; em 2009, 32%; em 2011, 36%; e, por fim, no Censo GIFE 2014, 47% das organizações.

Emocionante também foi a Cerimônia de Abertura dos Jogos Rio 2016. Estivemos acompanhando ao vivo, do histórico Estádio do Maracanã, que viu tantos eventos esportivos e culturais marcantes. Uma festa marcada pelo foco sustentável. Estavam ali representados temas mais do que atuais e urgentes como a diversidade, a preocupação com as mudanças climáticas, a inclusão social e econômica, etc. O evento, elogiado pela mídia internacional, deixou a marca de um Brasil múltiplo e moderno, arrojado e desigual, que não se esquece nem de suas raízes, nem da garra de sua gente.

Independente do quadro de medalhas destes 31º Jogos Olímpicos, as vitórias já estão asseguradas. Pela inspiração e transformação dos esportes para milhões de jovens nos mais diferentes locais. O Brasil está ajudando a escrever esta História com H maiúsculo.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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