Ecos do 5º Fórum de Governança & Sustentabilidade

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agosto 31, 2016

Ecos do 5º Fórum de Governança & Sustentabilidade

A proposta da quinta edição do renomado Fórum de Governança & Sustentabilidade não era simples: discutir se é possível ser sustentável mesmo em tempos de crise. O evento, uma referência em Curitiba neste nicho, consolidou-se como relevante não apenas no âmbito regional, mas também nacional e internacional.

Em um diálogo que precisa ser ampliado, saindo apenas do tradicional eixo São Paulo e Rio de Janeiro, iniciativas como esta dos organizadores paranaenses – STCP e Milano – apenas reforçam a relevância de “abrir a roda” e trazer novos atores para “beber na fonte” do conhecimento sobre sustentabilidade. Este mix, de experts e jovens arrojados faz do Fórum de Curitiba uma excelente oportunidade para ampliar horizontes e inspirar. Outro ponto alto do evento é a apresentação de cases de empresas, com gestores de sustentabilidade mostrando, na prática o que tem sido feito de mais relevante. Estiveram por lá executivos de algumas das maiores corporações de diferentes setores, como telefonia, agronegócios, cimento e reflorestamento e área bancária de desenvolvimento, confirmando que, mesmo em crise, é possível manter o vértice da sustentabilidade nos negócios.

O principal nome desta edição do Fórum Sustentabilidade & Governança 2016 foi ninguém menos do que o super conceituado físico indiano Pavan Sukhdev. Em tempos tão imediatistas e pouco conservacionistas, o palestrante reforçou que “a natureza não é um supermercado e a sociedade como um todo precisa entender essa lógica”. “Sem isso, não conseguiremos atingir o objetivo de um mundo mais sustentável. Nós não queremos perder isso e as companhias precisam amadurecer mais nesse sentido.”

Ele fez um alerta bem claro, advertindo que, embora os impactos no meio ambiente sejam expressivos, ainda permanecem invisíveis. “É necessário que as corporações trabalhem em conjunto com a sociedade, para isso precisamos entender o novo consumidor”, e para que essa dinâmica funcione as empresas devem medir os impactos e publicá-los.

Falando sobre o uso dos recursos biológicos pelas empresas, Sukhdev explicou por meio da metáfora econômica “ valor e preço”, que capital natural e natureza não são a mesma coisa. “Não há como comprar a natureza, pois valor é uma instituição humana e a natureza não cobra o que oferece ao mundo”. Portanto, preço é o que você paga e valor é o que você recebe.

Conhecemos no evento Ricardo Reale, pesquisador que acaba de concluir o Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Recursos Florestais da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ). O jovem Ricardo fez levantamento muito interessante sobre os investimentos feitos por empresas listadas no conceituado Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bolsa de Valores de São Paulo – o ISE da BM&FBovespa –  em conservação da biodiversidade.

A pesquisa, orientada pela professora Teresa Cristina Magro, do Departamento de Ciências Florestais da ESALQ, buscou conferir se estas empresas listadas no ISE da BM&FBovespa efetivamente contribuem para a conservação, recuperação e manutenção dos ecossistemas e serviços ambientais.

“Esperava-se encontrar o relato de atividades conservacionistas na maioria dos empreendimentos, uma vez que a biodiversidade possui valor intangível e indissociável dos benefícios providos pelos sistemas ecológicos”, relatou Ricardo. Porém, de acordo com a pesquisa, das 11 empresas avaliadas, dez não desenvolvem ações deste tipo para amenizar os impactos ambientais de suas atividades. Ricardo Reale explicou que há sete empresas que dependem dos serviços ecossistêmicos, ou seja, que obtêm diretamente os benefícios da natureza, a fim de sustentar a matéria que produzem. Contudo, apenas uma destas empresas trabalha na recuperação das áreas afetadas. “As empresas podem e devem usufruir conscientemente dos recursos naturais, sendo imprescindível que a exploração seja realizada em velocidade menor ou igual à velocidade de reposição dos estoques ecossistêmicos consumidos”, afirmou Ricardo.

Também no Fórum, acompanhamos a palestra do Secretário-Executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, que defendeu a imediata ratificação do Acordo do Clima de Paris pelo Governo Brasileiro, após ter passado pelo Senado. A expectativa é que isso seja feito ainda em setembro: o Presidente em Exercício, Michel Temer, teria adiado a ratificação para o dia 12 de setembro, data ainda a ser confirmada.

Outra palestrante de peso no evento de Curitiba foi a consultora Legislativa do Senado Federal, na área do Meio Ambiente, Karin Kassmayer. Ela falou sobre licenciamento ambiental e o projeto de ratificação do Acordo de Paris. “É necessário identificar suas tipologias para criar regulamentações de acordo com cada impacto ambiental”. Karin comentou que apesar das metas do Brasil terem sido vistas como ambiciosas no acordo de Paris no ano passado, elas foram estipuladas pela realidade do país. Citou, como exemplo, a redução do desmatamento florestal.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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