Cidades sustentáveis e o alerta das urnas

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outubro 14, 2016

Cidades sustentáveis e o alerta das urnas

Na próxima semana, na cidade de Quito, no Equador, de 17 a 20 de outubro, especialistas estarão reunidos na Conferência Habitat III, da ONU, discutindo padrões globais para o desenvolvimento urbano sustentável. O encontro divulgará a “Nova Agenda Urbana”, com 175 parágrafos, e servirá para orientar os esforços de vários atores em torno da urbanização das cidades nos próximos 20 anos.

Temas e desafios não são poucos: o crescimento desordenado de megalópoles, a preocupação sobre moradias decentes, o drama da mobilidade urbana, como garantir segurança nas cidades, etc.

E, não por acaso, assunto tão relevante e essencial para repensarmos o presente e, também tão urgente, planejar os próximos anos. Mais de 54% da população mundial vivem em áreas urbanas, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Um ponto é a espinha dorsal neste diálogo: a questão da governança e da gestão participativa para que as cidades realmente sejam sustentáveis e inteligentes. Como jornalista, tenho a oportunidade de conhecer muitos destes exemplos em diferentes cidades. Algumas delas estão citadas no Prêmio Cidades Sustentáveis, com diversas categorias.

Dá gosto de ver cidadãos comuns engajados, verdadeiramente “mergulhados” na solução de desafios de suas cidades. Porque as cidades precisam, realmente, ser voltadas para o coletivo, e cada cidadão precisa sentir-se parte deste processo. Este processo – por vários motivos – desgastou-se ao longo do ano. E o reflexo mais visível pode ser conferido nas Eleições de 2016 para Prefeito e Vereadores nos mais de 5 mil municípios brasileiros.

Os recentes resultados das urnas ilustraram como a maioria anda cética, descontente ou mesmo anestesiada diante do processo político. Vinte e cinco milhões de brasileiros não compareceram para votar, o que é mais do que toda a população da Austrália, como alertou a jornalista Miriam Leitão. Apenas no Rio de Janeiro, para citar o caso mais contundente – mas que também se repetiu em várias outras cidades – a abstenção chegou a ser maior do que a votação registrada para o candidato mais votado. Mas em outras capitais o mesmo recado das urnas foi sentido como em Belo Horizonte, Aracaju, São Paulo, Porto Alegre, Natal e Porto Velho.

A análise deixamos para os especialistas no tema. Alguns alertaram para a falta de atualização nos registros de eleitores – já que muitos teriam falecido e ainda constariam da listagem – outros chamam a atenção para o protesto da população, etc. O debate sobre a obrigatoriedade do voto e ainda sobre a reforma política voltaram a constar da pauta.

Porém, chamo a atenção para o fato é que o voto popular ainda é, sem dúvida, a mais legítima e autêntica manifestação de cada um dos cidadãos. Por uma cidade que queremos e sonhamos. Uma “polis” mais inteligente, sustentável, inclusiva, capaz de incluir a todos. Com todos pensando e buscando o melhor para o coletivo e não apenas para as suas próprias necessidades imediatas.

O norte-americano Boyd Cohen, autor do livro “Capitalismo Climático”, esteve recentemente no Rio de Janeiro para participar de evento organizado pela Confederação Nacional da Indústria. Mostrou a urgência para repensarmos rápido soluções que acelerem o engajamento das cidades na direção da economia de baixo carbono. “Tenho certeza que é possível fazer a transição para uma vida mais sustentável nos centros urbanos, com baixa emissão de carbono e, ainda assim, no caso das empresas, ter lucro”, assegurou.

Citou vários exemplos, como dos laboratórios de inovações urbanas, de Barcelona, na Espanha, com o apoio do afamado MIT – Massachussets Institute of Technology – e também de iniciativas empresariais na direção da economia sustentável, como o Airbnb, que vem crescendo rapidamente em vários países com ofertas de acomodações temporárias em casas e apartamentos de pessoas comuns no lugar dos tradicionais hotéis e aluguel tradicional.

Enfim, ainda há muito para avançar até realmente termos as cidades que sonhamos e queremos. Mas são ações como as citadas que estão pavimentando o longo caminho a trilhar.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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