Os compromissos assumidos pelo Brasil e a voz da natureza

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dezembro 5, 2016

Os compromissos assumidos pelo Brasil e a voz da natureza

No mesmo fim de semana que autoridades do Governo Brasileiro, em Cancún, México, davam passo importante e decisivo na intenção de restaurar, reflorestar e promover a recuperação natural de de 12 milhões de hectares de florestas até 2030, aqui em solo brasileiro, mais especificamente em Florianópolis, um ciclone subtropical atingiu em cheio vários pontos do município, especialmente a parte sul da ilha, com ventos de até 118 km/h.

Pescadores e moradores de praias, especialmente as que ficam em bairros ao sul de Florianópolis, relataram momentos de pânico. Este vendaval, segundo relado das autoridades municipais reunidas neste domingo, é o maior ocorrido em pelo menos 10 anos, em Florianópolis. Segundo informações da Defesa Civil de SC, ao menos 759 pessoas foram afetadas diretamente, 102 estão desalojadas no Estado e 260 mil domicílios chegaram a ser afetados pela falta de luz. Milhares de moradores estão sem luz desde a madrugada de sábado para o domingo (dias 3 e 4 de dezembro): fotos registram os estragos como telhados voaram, postes foram derrubados, árvores caíram, algumas em cima de carros, barcos de pescadores foram destruídos, etc . O prefeito de Florianópolis, César Souza Júnior, decretou situação de emergência. O decreto vai dar celeridade na atuação dos órgãos municipais em atendimento aos atingidos pela forte ventania.

Não foi o único registro recente de vendaval tão forte no Brasil: várias outras cidades também enfrentaram a mesma situação, como no interior do Paraná e de São Paulo. Sérgio Besserman, especialista no tema, atualmente presidente do Jardim Botânico do Rio, tem alertado sempre que as mudanças vivenciadas em diferentes pontos do planeta por conta das mudanças climáticas tendem a ser cada vez mais acentuadas e que, por isso, é tão urgente acelerarmos a migração para um novo modelo de economia de baixo carbono.

Dirigentes de 192 nações reunidos na 22ª Conferência Quadro das Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre as alterações climáticas (COP22) em Marrakech, Marrocos, sinalizaram que este é, sem dúvida, o caminho a ser trilhado. O drama é que não tem sido fácil conjugar interesses políticos de cada país com a urgência do planeta. De acordo com relatório da ONU divulgado exatamente nesta Conferência em Marrakech, limitar o aquecimento global em 1,5 grau melhora o crescimento, emprego e segurança.

De outro encontro relevante, desta vez em Cancún, México, ministros brasileiros – José Sarney Filho, do Meio Ambiente e Blairo Maggi, da Agricultura – anunciaram no dia 3 de dezembro, em Cancún, México, a adesão do governo brasileiro ao Desafio de Bonn (“Bonn Challenge”) e à Iniciativa 20×20. Com isso, o Brasil declara sua intenção de restaurar, reflorestar e promover a recuperação natural de 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Além disso, serão implementados 5 milhões de hectares de sistemas agrícolas integrados,combinando lavoura, pecuária e florestas, também até 2030, e recuperados 5 milhões de hectares de pastagens degradadas, até 2020. Esses esforços estão inseridos no Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC). Essas contribuições brasileiras serão contabilizadas desde 2005.

Recentemente tive o privilégio de trabalhar em uma região da Floresta Amazônica que ainda não conhecia. Em Alta Floresta, bem ao norte do Mato Grosso, situada bem próxima daquela parte do mapa que parece um vértice do triângulo, próximo da divisa do Pará, a exuberância da natureza parece “falar” mais alto.

Cidade com cerca de 60 mil habitantes, com forte atuação agropecuária e vocação também para o ecoturismo, está recebendo megainvestimento em energia. O projeto acaba de ser inaugurado, frisando forte compromisso dos investidores com a sustentabilidade. Em extensa Reserva Particular na região – preservada por um hotel na selva – a floresta parece querer agradecer. Pudemos subir uma torre de 40 metros de altura para observar e ouvir melhor pássaros e outros animais. Experiência única. Vale conferir no pequeno vídeo no qual registramos a exuberância do local.

Engana-se quem ainda acredita que florestas e os seus “habitantes” não falam. Asseguro: falam sim. E estão enviando um pedido de socorro sonoro e claro. Os homens só não escutam se não quiserem.

Sonia Araripe
Sônia Araripe é jornalista com 30 anos de experiência em várias redações, especializada em economia, finanças e seguros, diretora de Plurale em Revista e colaboradora quinzenal da coluna Sustentabilidade: Teoria e Prática, do site CNseg Sustentabilidade em Seguros.

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