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agosto 20, 2013

Seminário sobre riscos de inundações debate desastres naturais

Representante na ONU afirma que sociedade precisa ser mais resiliente

“Os benefícios da redução são os desastres que nunca aconteceram. Por isso, convencer as pessoas para investir em prevenção é uma missão muito difícil”. A frase foi dita por David Stevens, assessor do Programa Senior de Excelência para a Redução do Risco de Desastres (UNISD, na sigla em inglês), em sua palestra “Impacto Social das inundações e o papel do gerenciamento de riscos”, proferida no seminário “Riscos de Inundação no Brasil: Impactos no Mercado Segurador, Governo e Sociedade”, promovido pela Swiss Re, com apoio da CNseg, em São Paulo.

Stevens trabalha há 15 anos na Organização das Nações Unidas (ONU) e há seis meses dirige o escritório da UNISDR no Rio de Janeiro. “Logo que cheguei, percebi que tinha muitos desafios pela frente, principalmente para o entrosamento dos governos federal, estaduais e municipais na conscientização do gerenciamento dos riscos para evitar desastres como vimos na região serrana do Rio de Janeiro, em 2011, com mais de mil mortos”.

O palestrante reconhece que o Brasil já avançou muito, principalmente em termos econômicos. “Porém, apesar de termos um novo Brasil construído na última década, temos várias realidades neste país. A recente divulgação do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) mostrou que temos municípios com o mesmo IDHM da Holanda, na Europa, e outros com o mesmo da Uganda, na África”.

Ele também citou a tragédia no Sul do Brasil, com a morte de mais de 250 pessoas no incêndio da Boate Kiss. “Se alguém tivesse entrado lá e conscientizado os outros sobre os riscos que o local apresentava, essa tragédia teria sido evitada”, comentou, enfatizando que todos são responsáveis por gerenciar e mitigar riscos.

A própria ONU também, foi palco de uma grande tragédia, em 2010, quando morreram vários brasileiros, no Haiti. “A organização foi avisada de que o prédio não resistiria a um terremoto e ninguém deu importância”, disse. Foi nesse evento que morreu o brasileiro Luiz Carlos da Costa, o segundo na linha de comando da ONU no Haiti, e reconhecido mundialmente pela sua atuação.

A missão de Stevens é conectar e convencer a sociedade para contribuir com a construção de comunidades resilientes a desastres graves. “Nossa meta é promover uma maior sensibilização sobre a importância de se incluir a redução de riscos no dia a dia, conectando governos, empresas e indivíduos”, afirmou. Ele é um elo entre os produtos que a indústria de seguros tem para ofertar, fornecedores que criam sistemas de estimativas de perdas, tanto em quais locais como perdas financeiras que podem ocorrer com eventos naturais, e os governos, geralmente os mais afetados com a perda em grandes catástrofes. “Há países que perderam o equivalente a 100% do PIB em consequência de furacões”, finalizou.

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