GRI e o Mercado Segurador

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outubro 4, 2013

GRI e o Mercado Segurador

Encontro na CNseg debate a importância dos relatórios de sustentabilidade

“Uma das grandes dificuldades na hora de elaborar um Relatório de Sustentabilidade é fazer com que as informações cheguem aos responsáveis de modo confiável e, para isso, é necessário quebrar a resistência das outras áreas”. Essa foi uma das afirmações feitas por Adriano Lima, da área de Sustentabilidade da Petrobras, durante o primeiro Painel do encontro “GRI e Mercado Segurador – Relato de Sustentabilidade – Qual o valor dessa jornada?”, realizado pela CNseg, em parceria com a Global Reporting Initiative (GRI), no auditório da Escola Nacional de Seguros (ENS), no Rio de Janeiro, em 4 de outubro.

E essa opinião de Adriano foi compartilhada por outros participantes, como Paulo Senra, da Light, que afirmou que “o principal desafio é conseguir mobilizar as pessoas, que já tem o seu dia a dia tomado por outras preocupações.”

Os relatórios de sustentabilidade são um produto cada vez mais comum nas empresas e, para isso, podem contar com as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), a ONG internacional que define os indicadores mais respeitados e adotados no meio empresarial. E para apresentar os benefícios do relatório, não só para as empresas, mas para toda a sociedade, estava presente a ponto focal do GRI no Brasil, Gláucia Terreo, na mesa de abertura, junto com a superintendente de Relação com o Mercado da CNseg, Maria Elena Bidino, que anunciou que, em consonância com a quarta meta do PSI, o Conselho Diretor da CNseg definiu, em sua última reunião, que atuará para que pelo menos 50% das seguradoras já contem com relatórios de sustentabilidade até 2015. Por sua vez, Gláucia Terreo se colocou à disposição dessas empresas para fornecer todas as orientações necessárias.

Apesar de servirem como uma poderosa ferramenta de marketing, como foi muito repetido no encontro, já que abordam um tema com grande visibilidade atualmente, os relatórios de sustentabilidade têm ainda grande relevância estratégica na análise de riscos, principalmente para determinados segmentos econômicos como, por exemplo, os que lidam com energia, como no caso de Petrobras e Light e, também, os que lidam com recursos naturais, como no caso da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas, cuja representante, Adriana Leles, também esteve presente ao encontro.

O Painel seguinte foi apresentado por Maria Eugênia Buosi e Rafael Antonelli Marcos, da Resultante Consultoria Estratégica, que, concordando com o que já havia sido dito, afirmaram que estudos mostram que, em alguns setores, os riscos ambientais podem aumentar os custos em até 50%. Infelizmente, porém, afirmou Maria Eugênia, nem todos os executivos já se deram conta disso e os relatórios de sustentabilidade têm, também, a missão de conscientizar a organização, mesmo porque, trata-se de um problema que já não se pode ignorar. “Os custos ambientais sempre existiram, mas eram pagos por toda a sociedade. A diferença é que essa conta também começa a ser cobrada das empresas”.

E à medida que muda a realidade, muda também a legislação. Até o final do ano, por exemplo, de acordo com norma do Banco Central, as instituições financeiras serão obrigadas a elaborar seus relatórios de sustentabilidade. Sendo o Banco Central um órgão responsável por observar a saúde financeira dessas instituições, fica claro a correlação do tema com sustentabilidade.

Recentemente, também foi aprovado no Senado Federal o Projeto de Lei 289/2012, que exige a apresentação de relatório de sustentabilidade anual, por parte das companhias ou sociedades anônimas, contemplando “dimensões ambiental, social e de governança corporativa.

Mesmo as leis atuais, relativas às questões ambientais, dependendo da interpretação, podem gerar grandes impactos nas empresas, como é o caso da Política Nacional do Meio Ambiente, que diz, em seu artigo terceiro, que poluidor é ”a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável , direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental.” Conforme bem lembrou Rafael, toda atividade humana, em alguma medida, gera algum tipo de degradação ambiental e, teoricamente, poderia ser alcançada pela lei.

O painel seguinte foi apresentado por Catarina Bronstein, da GRI, que abriu sua fala dizendo que “além de apontar riscos, um relatório de sustentabilidade também tem o papel de apontar oportunidades.” Como outros benefícios, ela lembrou: aumento da credibilidade junto aos stakeholders, manutenção da “licença para operar”, criação de valor financeiro e atração de capital favorável, motivação da equipe, visão de futuro, etc.

Depois do almoço, os presentes puderam assistir a palestra do economista, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro e jurado do Prêmio de Sustentabilidade da CNseg, Sergio Besserman, que iniciou repercutindo alguns números do relatório divulgado recentemente pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) apontando que a temperatura no planeta deverá aumentar entre 2 e 4,5 graus, trazendo sérias consequências e sofrimento para a humanidade, sobretudo os mais pobres.

Segundo o relatório do IPCC, ainda que as consequências do aumento da temperatura em 2 graus sejam muito sérios, já está praticamente descartada a possibilidade de isso não acontecer. Assim, teremos que aprender a conviver com a acelerada depreciação dos principais ativos da humanidade, que estão nos recursos naturais e a biodiversidade.

Mas ao mesmo tempo, esse cenário também gera oportunidades de negócio, sobretudo para as seguradoras, desde que saibam se adaptar aos novos tempos. “O setor de seguros calcula os riscos em cima de séries históricas, mas em um mundo que passa por transformações tão intensas no clima, que afetam todos os resultados, essa mensuração precisa de novos critérios?”

E, além das mudanças no clima, também observamos mudanças na mentalidade das pessoas, como fica evidenciado por pesquisa divulgada pelo New York Times, apontando que 40% dos jovens nos Estados Unidos não tem carro e não pensam em ter.

Após a apresentação de Sergio Besserman, as representantes da GRI, Gláucia Terreo e Catarina Bronstein, organizaram uma dinâmica de grupo envolvendo os participantes.

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