Um novo clima e uma nova economia

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outubro 24, 2013

Um novo clima e uma nova economia

Cientista e economista discutem na 6ª Conseguro o aquecimento global e seus impactos

As chuvas intensas que atingiam São Paulo uma vez por década, entre os anos 1930 e 1940, acontecem agora cerca de duas vezes por ano, deflagradas principalmente pela urbanização. A frequência e intensidade desses fenômenos naturais são agravadas pela interferência no ambiente, como a impermeabilização do solo, que também contribui para o alagamento de grandes áreas, acarretando catástrofes naturais cada vez mais destruidoras.

Estas evidências constam de um estudo coordenado pelo cientista Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Desenvolvimento do Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação, e pelo economista Sergio Besserman, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro. As informações foram apresentadas por eles na última palestra da 6ª Conseguro, que discutiu o tema “Um Novo Clima e Uma Nova Economia”, sob mediação do consultor Nelson Barbosa, da Fundação Getulio Vargas.

A incidência dos fenômenos naturais vem sendo agravada pelo aquecimento global, provocado pela emissão dos gases de efeito estufa na atmosfera, que é um problema de todos os países do mundo. “Apesar de o Brasil ter reduzido suas emissões em 40% nos últimos anos, por conta da redução do desmatamento da Amazônia, jamais conseguiremos, sozinhos, reduzir o aquecimento global”, disse Carlos Nobre.

Ele informou que o Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação tem um programa para incentivar as universidades brasileiras a transformar o conhecimento sobre o comportamento do clima em ações para melhorar as condições de vida da população. “Para enfrentarmos esse grande desafio, precisamos de uma forte capacidade de inovação tecnológica, principalmente dentro da indústria, mas, no Brasil, há poucos exemplos neste sentido”, afirmou.

Na avaliação de Carlos Nobre, a indústria de seguros também tem um papel importante nesse processo e pode construir parcerias com outros setores da economia pra fomentar essas inovações. “O Ministério está disposto a estabelecer um amplo diálogo com a indústria brasileira”, anunciou.

O aquecimento global vai provocar transformações extremas

Mesmo que o mundo decida enfrentar o problema de frente, o aquecimento global vai provocar transformações extremas na vida do planeta, fazendo das mudanças climáticas uma questão fundamental para qualquer companhia e, em particular, para a indústria de seguros.

O alerta foi feito pelo economista Sergio Besserman, que citou o exemplo do furacão Sandy, que, só em prejuízos ao metrô de Nova York, gerou um custo maior do que todos os investimentos feitos até agora pelo Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016.

Segundo ele, os preços relativos da economia de mercado global irão mudar radicalmente, já que os custos para a emissão de carbono – que ainda são considerados um bem público – serão necessariamente introduzidos nos cálculos em algum momento. “Se enfrentarmos o problema, o custo será um, se não, será outro. Mas a conta virá de qualquer jeito”, avisou.

Besserman, no entanto, não é nem um pouco otimista. “Se não somos individualmente inteligentes o suficiente para levar a sério as recomendações médicas em relação aos efeitos do tabagismo e da má alimentação na saúde, por exemplo, imaginem se tratando da sociedade como um todo”, comparou.

Ainda assim, o economista crê na capacidade da indústria de seguros de ajudar a mudar a mentalidade da sociedade, já que é um setor econômico que tem experiência de pensar a longo prazo; diferentemente dos políticos, que trabalham de olho na próxima eleição; e dos executivos, que trabalham com o prazo do próximo balanço.

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